EUA chamam Saddam de "carniceiro"

Dando início a uma série de discursos nos Estados Unidos para espalhar a mensagem contra o presidente iraquiano Saddam Hussein, o secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld o chamou hoje de um ditador brutal e afirmou que o Iraque ficaria melhor sem ele. "Ele é um carniceiro, ele tortura pessoas, ele as mata pessoalmente", disse Rumsfeld. "Ele tem impedido que bilhões e bilhões e bilhões de dólares cheguem ao povo daquele país porque ele está determinado a ter armas de destruição em massa".Rumsfeld concedeu uma série de entrevistas e discursou na Câmara do Comércio Metropolitana de Atlanta. Ele insistiu que não trazia "qualquer mensagem particular", afirmando que queria apenas levar o debate sobre o Iraque para fora de Washington.Assessores disseram que as entrevistas e o discurso em Atlanta foram os primeiros de uma série de viagens que Rumsfeld fará pelos EUA. "Estou aqui porque acho que é importante que essas questões sejam discutidas e consideradas", afirmou. Perguntado como a administração garantiria que o próximo governo iraquiano não fosse pior do que o de Saddam, Rumsfeld respondeu: "Na vida, existem muitas poucas garantias". "Tem de ser do interesse do mundo ver que seus filhos não o sucedam", assim como qualquer um do círculo íntimo de Saddam.Questionado como os EUA poderiam ter certeza de eliminar Saddam, dadas notícias que o líder iraquiano usa vários sósias para enganar possíveis assassinos, Rumsfeld disse que o objetivo maior é garantir que Saddam não controle mais o poder. "Se ele estiver fugindo, ele não estará governando o Iraque", disse.Ele fez uma comparação com a situação no Afeganistão, onde o derrubado líder taleban mulá Omar continua se escondendo, mas não pode mais transformar o país num abrigo de terroristas. Rumsfeld também afirmou que a rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden, está enfraquecida e dispersa, apesar de as autoridades norte-americanas não saberem se Bin Laden está vivo ou morto.Rumsfeld disse que Bush ainda não tomou a decisão de derrubar Saddam com uma ação militar e negou-se a especular quanto tempo tal operação duraria. "A resposta a isso dependeria do tempo em que o povo iraquiano levará para aprender que eles têm a oportunidade de se libertarem", afirmou.

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