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EUA classificam crise na Venezuela como 'ameaça' e ampliam sanções

O presidente Barack Obama assinou ontem um decreto que descreve a situação na Venezuela como uma ameaça à segurança nacional e à política externa dos EUA, além de determinar o congelamento de bens de sete autoridades venezuelanas acusadas de violação dos direitos humanos. A Casa Branca defendeu que o governo de Caracas liberte "todos os presos políticos" da Venezuela.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 Março 2015 | 02h00

O trecho faz referência a líderes oposicionistas como Leopoldo López, Daniel Ceballos e Antonio Ledezma, além de "dezenas de estudantes" detidos em prisões da Venezuela.

A maioria dos atingidos pelas sanções tem ou teve cargos de comando na Guarda Nacional Bolivariana, no Exército e nos serviços de inteligência venezuelanos. A medida proíbe americanos de realizar qualquer transação com as autoridades atingidas, cuja entrada nos EUA fica vetada.

Integrantes do governo americano enfatizaram que as medidas não afetam a população da Venezuela, nem a economia do país, incluindo o setor de energia. O decreto de Obama aplica legislação aprovada pelo Congresso em dezembro e amplia seu escopo para incluir acusados de minar o processo democrático da Venezuela e praticar atos de corrupção - que se somam à perseguição de opositores políticos, cerceamento da liberdade de imprensa, violação de direitos humanos e realização de prisões arbitrárias.

Durante o ano passado, o governo dos EUA resistiu às pressões do Congresso para a imposição de sanções a autoridades venezuelanas, com o temor de que a medida pudesse fortalecer a narrativa antiamericana do governo de Nicolás Maduro. Também havia a expectativa em Washington de que as tentativas de promoção de diálogo entre Maduro e a oposição rendessem frutos.

No entanto, as sanções acabaram sendo aprovadas pelo Congresso em dezembro e Obama decidiu aplicá-las ontem. Antes, o governo americano já havia suspendido a entrada nos EUA de 56 venezuelanos apontados como responsáveis por abusos contra os direitos humanos.

Maduro não cumpriu nenhum dos acordos acertados com a oposição intermediados por países sul-americanos, de acordo com um integrante do governo Obama, que mencionou a recente tentativa de diálogo promovida pelos ministros das Relações Exteriores de Brasil, Colômbia e Equador.

A classificação da Venezuela como ameaça à segurança nacional é um requisito da legislação americana para a imposição de sanções. "Estamos profundamente preocupados", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest. Para os EUA, o diálogo com a oposição é o caminho para solucionar a crise na qual a Venezuela está mergulhada.

Diplomacia. A decisão eleva a pressão de Washington sobre Caracas no momento em que os EUA começam a normalizar suas relações com Cuba, país que durante décadas ocupou o lugar de inimigo número 1 da Casa Branca na América Latina.

Ontem, Maduro respondeu de maneira dura. "O presidente Barack Obama deu o passo mais agressivo, injusto e nefasto que os EUA jamais deram contra a Venezuela", disse. "A elite imperialista dos EUA decidiu cumprir a tarefa de derrubar meu governo."

Apesar do aumento da tensão na relação bilateral, os EUA continuam a ser o principal destino das exportações de petróleo da Venezuela e um dos poucos clientes na região que compram o insumo a preços não subsidiados.

Earnest disse que o governo americano continuará a trabalhar com outros atores da região para "encorajar" a Venezuela a respeitar os princípios democráticos.

"Estamos comprometidos com a promoção dos direitos humanos, a defesa de instituições democráticas e a proteção do sistema financeiro dos EUA de fluxos financeiros ilícitos fruto da corrupção pública na Venezuela", disse o porta-voz.

Obama e Maduro se encontrarão no Panamá em abril durante a Cúpula das Américas. Pela primeira vez desde que começou a ser realizado, em 1994, o evento terá a participação de Cuba e o presidente dos EUA deve se encontrar com seu colega cubano, Raúl Castro.

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