EUA cobram prazo para que iraquianos assumam o poder

O chefe do Comando Central dos EUA no Oriente Médio encontrou-se, nesta segunda-feira, com o primeiro-ministro iraquiano, pedindo um prazo para o Iraque deixar prontas suas tropas e sinalizando uma possível prévia de mudanças na política americana para englobar o Irã e a Síria. Foi a terceira visita inesperada de um alto funcionário dos EUA ao país em dias recentes. Ao mesmo tempo, a violência sectária no país matou mais de 20 pessoas em atentado a um ônibus. O general John Abizaid, comandante das forças americanas no Oriente Médio, também avisou Nouri al-Maliki que ele deve desmantelar milícias xiitas até o final do ano e dar aos EUA uma prova de que foram desarmadas, segundo informaram altos membros do governo iraquiano informados sobre o encontro. Além disso, Abizaid pediu que o líder iraquiano desse aos militares americanos um decidido prazo para que as forças de segurança do país sejam capazes de tomar controle do país, disseram estes membros, que falaram sobre a condição de anonimato por causa da natureza sensível das conversas. Síria e Irã Um breve depoimento de governo disse que Abizaid disse a Al-Maliki que ele havia ido ao Iraque para "reafirmar o compromisso do presidente Bush". Também disse que os dois discutiram o "efeito de países vizinhos na situação de segurança no Iraque", em clara referência ao Irã e à Síria. Isso é particularmente significante, dado que Al-Maliki havia anunciado, no dia anterior, que estava pronto para dar "cinco passos" em direção à Síria se Damasco desse um passo em direção ao Iraque. Após mais de duas décadas de indiferença entre Damasco e Bagdá, o governo de Al-Maliki convidou o ministro do Exterior Sírio, Walid Moallem, a visitar o país e ele aceitou, embora nenhuma data tenha sido agendada. Tanto Washington quanto Bagdá acusam a Síria de não fazer nada para fechar sua fronteira a combatentes iraquianos, especialmente agentes da Al-Qaeda. Além disso, altos membros do antigo regime de Saddam terem encontrando um porto-seguro na Síria, onde eles têm operado livremente para angariar fundos e organizar a insurgência árabe sunita, que é responsável pela vasta maioria das mortes americanas no Iraque. Quanto ao Irã, muitas altas figuras na agora dominante hierarquia xiita passaram anos no exílio lá durante o governo de Saddam. Uma milícia xiita foi treinada pela Guarda Revolucionária do Irã. O país é conhecido por financiar essa milícia e um clérigo radical xiita, Muqtada al-Sadr. Ambos os países são suspeitos de profundo envolvimento na violência sectária que está levando o Iraque a uma guerra civil. Violência A bomba que matou 20 pessoas foi plantada em um ônibus ao noroeste de Bagdá e detonou logo após o meio-dia em um grande cruzamento, disse a polícia. Insurgentes sunitas têm freqüentemente atacado ônibus com passageiros xiitas durante uma incessante represália de ambos os lados.

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