EUA cogitam limitar comércio venda de armas, diz Biden

Segundo vice-presidente, medida buscaria evitar ação de atiradores como o que matou 20 crianças em Newtown

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2013 | 02h03

O presidente dos EUA, Barack Obama, não descarta a possibilidade de restringir o comércio de armas, disse ontem o vice-presidente americano, Joe Biden, que lidera uma força-tarefa para elaborar um plano de combate à violência e evitar massacres como o da escola em Newtown, Connecticut, em 14 de dezembro. Em uma das primeiras reuniões com vítimas, vendedores de armas e grupos relacionados ao porte de armas, Biden deixou claro à imprensa que o presidente agirá, se for preciso, por meio de decretos.

"Ações executivas podem ser adotadas. Não decidimos ainda, mas estamos analisando a possibilidade", disse Biden antes de uma reunião com defensores de maiores restrições ao comércio de armas. Hoje, o vice-presidente se reúne com integrantes do lobby das armas.

A força-tarefa é uma das prioridades de Obama neste início de novo mandato. Ao contrário de outros episódios de violência nos EUA, o da escola Sandy Hook provocou uma comoção maior por terem sido crianças as principais vítimas - 20 crianças e 7 adultos morreram.

O lobby das armas, capitaneado pela Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), enfrenta a oposição do bilionário prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, árduo defensor de restrições ao comércio de armas.

Na audiência de ontem, Biden e sua equipe ouviriam o depoimento do ativista Colin Goddard, sobrevivente do massacre da Universidade Virginia Tech, em 2007, quando 32 pessoas foram mortas.

O NRA defende que, em vez de restrições, sejam colocados guardas armados que façam a segurança em escolas. A Segunda Emenda da Constituição dos EUA garante o direito de portar armas. Quando foi aprovada, porém, não existiam armas de ataque, como fuzil AR-15 usado em Newtown e Aurora, no Colorado, onde, em julho, um atirador matou 12 pessoas durante a exibição do filme do Batman.

Em Nova York, um dos Estados com maiores restrições a armas, o governador Andrew Cuomo estuda implementar medidas ainda mais duras para coibir o comércio e o uso de armamentos.

A cada ano, nos Estados Unidos, 100 mil pessoas ficam feridas em ataques, acidentes ou tentativas de suicídio com armas de fogo, e quase 30 mil morrem em incidentes relacionados a essas armas.

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