REUTERS/Stringer/File
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Em resposta a Trump, Irã declara EUA como 'país que patrocina terrorismo'

Nesta segunda-feira, governo americano incluiu oficialmente o corpo militar de elite do Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica, em sua lista de organizações terroristas estrangeiras

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 11h35
Atualizado 09 de abril de 2019 | 11h05

TEERÃ - O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã declarou nesta segunda-feira, 8, que os Estados Unidos são "um país que patrocina o terrorismo" e forças americanas na região são "grupos terroristas", informou a mídia estatal. 

Em um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Irna, o conselho informa que a declaração é uma resposta ao "ato ilegal e delirante " de Washington de designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista nesta segunda-feira.

Anteriormente, o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, pediu a seu país que descrevesse como "terroristas" as forças dos Estados Unidos que operam no Oriente Médio, na Ásia Central e no Chifre da África. 

Zarif também escreveu uma carta ao presidente iraniano, Hasan Rohani, pedindo a ele para responder à decisão dos Estados Unidos de incluir a Guarda Revolucionária Iraniana na "lista de organizações terroristas estrangeiras" desenvolvida pelo Departamento de Estado. 

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, um forte adversário do Irã, tem defendido a mudança na política americana como parte do endurecimento da posição do governo Trump na relação com Teerã. Ele alertou todos os bancos e empresas sobre as consequências de negociar com a Guarda Revolucionária.

"Empresas e bancos de todo o mundo agora têm o claro dever de garantir que as empresas com as quais realizam transações financeiras não sejam conduzidas com a IRGC de maneira relevante", disse ele aos repórteres, usando a sigla para o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu elogiando a decisão de Washington. "Agradeço ao meu querido amigo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por decidir colocar a Guarda Revolucionária Iraniana na lista de organizações terroristas", escreveu Netanyahu no Twitter. "Obrigado por responder a outra importante demanda minha, que atende aos interesses de nossos países e dos países da região", acrescentou.

Acordo nuclear

O anúncio da designação chega às vésperas do aniversário de um ano da decisão de Trump de sair do acordo nuclear com o Irã, firmado junto aos EUA e países europeus durante o governo do presidente Barack Obama, e da imposição de novas sanções que estão prejudicando a economia iraniana. 

A Guarda Revolucionária é o braço das Forças Armadas iranianas mais próximo da teocracia do país, e responsável por manter o sistema implementado com a Revolução Islâmica de 1979 - o que inclui, entre outras tarefas, reprimir protestos. É a linha dura do regime.

No domingo, o governo do Irã prometeu retaliar qualquer medida tomada pelos EUA. “Responderemos a qualquer ação tomada contra esta força com ação recíproca”, afirmaram 255 dos 290 parlamentares iranianos em uma declaração, segundo a Irna. “Então os líderes da América, que são eles mesmos criadores e apoiadores de terroristas na região (do Oriente Médio), irão se arrepender dessa ação inapropriada e idiota.” / AFP, EFE e REUTERS 

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