Alex Brandon/Reuters
Alex Brandon/Reuters

EUA começam a se despedir da juíza Ginsburg

Trump prestará homenagem na quinta-feira; ele defende nomeação rápida de substitua e alega que resultado das eleições de novembro pode terminar na Suprema Corte: 'Acho importante ter nove juízes', disse

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2020 | 22h41

WASHINGTON - Os Estados Unidos deram início nesta quarta-feira, 23, a três dias de homenagens na Suprema Corte e no Capitólio para a despedida da juíza progressista Ruth Bader Ginsburg, cuja morte deixou uma vaga na mais alta corte e desencadeou um novo confronto entre democratas e republicanos em plena campanha eleitoral.

O presidente Donald Trump prometeu nomear a substituta de Ginsburg antes da eleição de 3 de novembro, o que significaria o controle dos conservadores sobre o tribunal, que conta com nove membros e tem amplo impacto na vida dos cidadãos americanos. 

Os demais juízes do tribunal e o ex-presidente democrata Bill Clinton, que a indicou, se despediram da juíza em uma cerimônia restrita, com uma curta oração judaica e um discurso do chefe da Suprema Corte, John Roberts.

Um grupo de 100 funcionários do Poder Judiciário recebeu o caixão da juíza enfileirados na escadaria, todos vestidos de preto e com o rosto coberto por máscaras de mesma cor devido à pandemia de coronavírus. 

Do outro lado da rua, atrás de uma barreira, centenas de pessoas esperavam para prestar homenagem à magistrada, cujo caixão foi coberto com a bandeira americana. 

Na quinta-feira, Trump irá à Suprema Corte para homenagear a juíza, informou o secretário de imprensa adjunto, Judd Deere. O presidente acredita que o processo para a substituição da juíza avançará "rapidamente". 

Trump anunciará no sábado à tarde a sua candidata para substituir a juíza. Entre as opções está a magistrada conservadora Bárbara Lagoa, uma juíza de Miami de origem cubana. 

Ginsburg, que morreu na sexta-feira aos 87 anos, tornou-se um ícone popular para a esquerda por sua defesa da igualdade jurídica das mulheres. Seu rosto estampa produtos e ela chegou a inspirar um filme de Hollywood. 

O caixão da magistrada foi colocado sob o mesmo local onde repousava o caixão do presidente americano Abraham Lincoln, em 1865.

"Hoje dizemos adeus a uma heroína americana", disse o rabino Lauren Holtzblatt depois de pronunciar o Kadish, uma curta oração fúnebre, em hebraico. "Ver mais além do mundo que se está, imaginar que algo pode ser diferente, esse é o trabalho de um profeta", acrescentou. 

A pandemia marcará todas as homenagens, que só podem ser acessadas por convite para evitar multidões, num momento em que a covid-19 já fez mais de 200 mil mortos nos Estados Unidos. 

Após uma cerimônia privada dentro da Suprema Corte, o caixão de Ginsburg foi colocado sob as colunas coríntias da fachada do edifício para que o público pudesse se despedir. Houve uma fila com distanciamento social. 

Desde que sua morte foi anunciada, centenas de pessoas se reuniram espontaneamente nos degraus de mármore da corte para homenageá-la, algumas delas de Estados distantes. 

O corpo da magistrada será transferido na sexta-feira para o salão de estátuas do Capitólio, em frente à Suprema Corte. 

A disputa pela vaga - em um momento em que cinco dos nove magistrados do Tribunal são conservadores - desencadeou um confronto entre os republicanos, que defendem que é o atual governo e o Senado controlado pelo partido no poder quem devem indicar a substituta de Ginsburg, e os democratas, que defendem que a escolha seja feita após a eleição.

Trump e seu rival democrata, Joe Biden, estão lado a lado nas pesquisas em Estados-chave para chegar à Casa Branca.  O republicano afirmou que a vaga deve ser preenchida, argumentando que o resultado das eleições poderia terminar na Suprema Corte. "Acho importante ter nove juízes", ressaltou. 

Para Entender

As etapas para substituir a juíza Ginsburg na Suprema Corte dos EUA

Saiba mais sobre as etapas que o governo americano terá de respeitar para completar o processo de substituição na mais alta corte americana

O anúncio do sábado desencadeará uma batalha política que deverá ser carregada de tensão para ganhar a nomeação para o Senado em tempo recorde.

Os democratas, no entanto, não têm como impedir o procedimento, que ancoraria a maioria conservadora na corte em 6 contra 3, mas denunciam um "abuso de poder"./AFP 

 

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