EUA compram 24% de tudo que o Brasil exporta

É consenso entre analistas internacionais que soaria prematuro fazer previsões sobre o impacto que os atentados terroristas nos Estados Unidos causarão à economia mundial, mas a visão sobre o futuro - que já era pessimista - se agravou. Para o Brasil, dependente de capital externo e sedento de elevar as exportações, a crise é um grave fator de preocupação. Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial brasileiro - 24,09% das exportações e 22,98% das importações registradas pela Secex até julho tiveram como destino ou origem aquele país.O principal produto comprado pelos norte-americanos são os aviões da Embraer, responsáveis por US$ 1,036 bilhão (FOB) em vendas em sete meses. Por esse motivo, os motores, peças e turbinas para aviação aparecem também no topo do ranking dos artigos importados dos EUA, com US$ 617,467 milhões. O país é também é o maior comprador de calçados brasileiros. Até julho, os norte-americanos absorveram o equivalente a US$ 680,830 milhões em compras da indústria calçadista nacional.As vendas de óleos combustíveis chegaram a US$ 378,661 milhões e as de automóveis totalizaram US$ 335,648 milhões. O segmento automotivo vinha comemorando o avanço nesse mercado, que nos últimos meses ultrapassou Argentina e México como maior potencial comprador do Brasil. As vendas de ferro fundido bruto e ferro "sipegel", bem como a de semimanufaturados de ferro ou aço, que já estavam em queda, podem sofrer duplo impacto negativo, da crise que se avizinha e do assumido protecionismo local.Cautela - No Brasil, as empresas exportadoras e importadoras preferiram ainda não fazer especulações sobre negócios futuros. Sadia e Perdigão consideram os Estados Unidos como um mercado secundário, mas os países do Oriente Médio, que podem se envolver em um conflito maior após os atentado, são apostas sérias das duas companhias. O setor petroquímico também mostrou apreensão hoje durante seu congresso no Rio de Janeiro, exatamente pelo temor de uma alta generalizada dos preços do petróleo, que impactam diretamente em seu principal insumo, a nafta.A Cemig foi atingida pelo viés financeiro da crise e teve que adiar listagem de seus ADR´s de nível 2 em Nova York, que estava marcada para o dia 18. O próprio diretor financeiro da companhia, Cristiano Corrêa de Barros, se viu preso no olho do furacão e ficou no aeroporto de Nova York, onde chegou nesta manhã para iniciar os preparativos do lançamento.

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