Fernando Medina/REUTERS
Fernando Medina/REUTERS

Estados Unidos condicionam retomada de aporte à OPAS à avaliação do 'Mais Médicos'

Diplomata americano para a América Latina disse que a participação da OPAS no 'Mais Médicos' é um tema de 'grande preocupação' para o governo de Donald Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2020 | 01h43

WASHINGTON - Os Estados Unidos vão retomar os aportes financeiros à Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) quando for instalado o painel independente que deve avaliar o programa de envio de médicos de Cuba ao Brasil, disse nesta quarta-feira, 1, um alto funcionário do Departamento de Estado.

O principal diplomata americano para a América Latina, Michael Kozak, disse que a participação da OPAS na iniciativa "Mais Médicos" do Brasil, é um tema de "grande preocupação" para o governo de Donald Trump.

Através deste programa, Cuba enviou médicos ao Brasil "por uma grande quantidade de dinheiro que não foi pago aos médicos, mas ao regime", disse Kozak em audiência no Congresso.

Ele afirmou que em 23 de junho, a OPAS aprovou medidas de reforma de gestão "que evitariam que algo assim voltasse a acontecer no futuro sem a participação e a aprovação do Comitê Executivo" da organização.

"Também se comprometeu a realizar uma avaliação externa independente do programa", disse Kozak, ao Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes.

"Temos a esperança de que os notáveis para a avaliação independente estejam logo instalados e isso nos permitirá retomar nossas contribuições à OPAS", acrescentou.

Segundo a declaração de aportes dos Estados Unidos, publicada no site da OPAS, os Estados Unidos têm saldo deduzido para 2020 de 110 milhões de dólares.

Há três semanas, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, exortou a OPAS, braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prestar contas por "explorar" médicos de Cuba no Brasil e advertiu que o dinheiro dos contribuintes americanos será para organismos afins com seus valores.

A OPAS "deve explicar como chegou a enviar 1,3 bilhão de dólares do regime assassino de Castro" e "por que não buscou a aprovação" do Comitê Executivo "para participar deste programa", disse Pompeo, destacando que o organismo regional "precisa realizar reformas".

A diretora da OPAS, Carissa Etienne, disse no fim de abril a jornalistas que "60% do financiamento da OPAS provêm do governo americano", um aporte que considerou "realmente central" para a instituição.

O Comitê Executivo da OPAS, de nove membros rotativos, é integrado atualmente por Belize, Canadá, Peru, Barbados, Equador, Estados Unidos, Costa Rica, Haiti e México. 

Mais de 8.000 médicos cubanos participaram de 2013 a 2018 do "Mais Médicos", um programa criado para atender regiões pobres e zonas rurais do Brasil, que operou através de um convênio com a OPAS.

A venda de serviços médicos é a principal fonte de receita para Cuba, que em 2018 ganhou 6,3 bilhões de dólares em suas missões em todo o mundo, segundo cifras oficiais./AFP

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