EUA considera nova oferta em acordo nuclear com o Irã

Os EUA estão considerando reduzir as exigências no programa nuclear iraniano com uma nova proposta que vai permitir que Teerã mantenha cerca de metade do projeto intacto enquanto sofre outras restrições sobre a possibilidade do uso da tecnologia nuclear para fabricar armas atômicas, informaram diplomatas.

Estadão Conteúdo

26 de setembro de 2014 | 15h37

A iniciativa, revelada na noite de quinta feira, acontece após meses de negociações entre o Irã e seis potenciais globais falharem em determinar o tamanho e a capacidade futura do programa de enriquecimento de urânio de Teerã. O Irã insiste que não vai fabricar armas atômicas e o Ocidente está prestes a derrubar sanções se Teerã concordar em diminuir substancialmente o enriquecimento de urânio e outras atividades que o país poderia usar para fabricação armas nucleares.

Os EUA idealmente querem que 1.500 centrífugas continuem em atividade. O Irã alega que vai usar a tecnologia apenas para fabricar reatores de combustíveis e outros propósitos pacíficos e insiste que seja permitido que as atuais 9.400 máquinas permaneçam em funcionamento.

A nova oferta americana almeja chegar a um meio termo com os iranianos, informaram dois diplomatas que não quiseram se identificar. Eles afirmaram que os EUA consideram deixar que o Irã mantenha 4.500 centrífugas funcionando, mas reduza o estoque de gás de urânio que alimenta as máquinas a um nível que levasse mais de um ano de enriquecimento de urânio para criar material suficiente para fabricar uma ogiva nuclear. Isso daria à comunidade internacional tempo suficiente para reagir a qualquer tentativa de ataque.

Os diplomatas enfatizaram que a proposta é apenas uma de uma série discutidas pelas seis potências mundiais (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) e não foi apresentada formalmente aos iranianos. Outras ideias também incluem deixar mais de 1.500 máquinas em ativa, mas remover e destruir boa parte da infraestrutura necessária para fazê-las funcionarem.

Israel se opôs à nova proposta americana. O ministro da Inteligência do país, Yuval Steinitz, afirmou em uma declaração que "Israel se opõem fortemente" porque acredita que o Irã está conduzindo experimentos com o objetivo de "inflamar a cadeia de reações nucleares".

A nova proposta reflete a vontade de Washington de avançar nas negociações diante do prazo de 24 de novembro. A atual rodada de conversas começou há uma semana durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Fonte: Associated Press.

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