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EUA consideram 'pouco crível' que Damasco pare operações militares

Para embaixadora dos Estados Unidos, Susan Rice, presidente Bashar al Assad fez promessas que quebrou várias vezes

11 de abril de 2012 | 17h28

NAÇÕES UNIDAS - A embaixadora dos Estados Unidos diante da ONU, Susan Rice, considerou nesta quarta-feira, 11, pouco crível a promessa do Governo da Síria de deter as operações militares nesta quinta-feira devido ao "histórico" de Damasco de romper os compromissos.

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Para Rice, o presidente Bashar al Assad fez promessas que quebrou repetidas vezes ao longo dos mais de 12 meses da crise síria.

"As promessas de Damasco têm pouca ou nenhuma credibilidade devido ao histórico do regime sírio", declarou.

A diplomata americana, que preside neste mês o Conselho de Segurança das Nações Unidas, explicou que a carta remetida por Damasco ao enviado especial Kofi Annan, na qual anuncia a cessação das operações militares na quinta-feira, não demonstra o cumprimento do plano de paz estipulado com o mediador internacional.

"A carta não é nem pode ser percebida como cumprimento ao plano de paz de seis pontos, nem mesmo dos pontos que tinham de ser completados na terça-feira", analisou Rice.

Ela garantiu que "a responsabilidade está completamente nas mãos do regime sírio, que deve cumprir com suas obrigações em primeiro lugar", não da oposição.

O Governo sírio comunicou nesta quarta-feira a Annan que cessará sua atividade militar em todo o país a partir das 6h de 12 de abril (0h de Brasília).

Justo quando vence o prazo dado para o fim das hostilidades, embora o Governo de Assad tenha advertido que está preparado para defender-se das agressões dos grupos armados.

"As reservas que há na carta são preocupantes e põem em dúvida outra vez a credibilidade de seus compromissos", disse a embaixadora americana sobre a carta que Damasco remeteu ao enviado conjunto da Liga Árabe e a ONU à Síria.

 

Enquanto se aproxima o prazo marcado por seu plano de paz, Annan continua buscando apoio no exterior e nesta quarta-feira se reuniu com as autoridades iranianas para alcançar uma solução ao conflito sírio, que deixou mais de 9 mil mortos desde o início das revoltas populares em março de 2011, conforme dados da ONU.

Nesta quinta-feira, quando o prazo já tiver expirado, o ex-secretário-geral das Nações Unidas comparecerá diante do Conselho de Segurança por meio de videoconferência a partir de Genebra para informar aos membros sobre o cumprimento ou não dos acordos incluídos em seu plano de paz.

O principal órgão de decisão da ONU reiterou na terça-feira o respaldo unânime a Annan e seus esforços para encontrar uma saída política à crise, enquanto alguns de seus membros já falam em impulsionar medidas concretas contra Damasco se o regime não cumprir seus compromissos.

Na véspera de completar o prazo para o fim das hostilidades, os ativistas opositores denunciaram a morte de 40 pessoas, entre elas duas mulheres e quatro menores, em diferentes ações de repressão das forças do regime.

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