AP Photo/Chuck Burton
AP Photo/Chuck Burton

EUA correm risco de sofrer graves inundações por furacão Florence

Fenômeno foi rebaixado para categoria 1 na escala de Saffir-Simpson, que vai de 1 a 5, mas ainda está previsto que será muito perigoso quando se aproximar da costa

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 21h29
Atualizado 14 Setembro 2018 | 00h34

WASHINGTON - O furacão Florence começou a atingir a Costa Leste dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 13, com ventos fortes, chuvas torrenciais e a ameaça de inundações “catastróficas”. Espera-se que a grande e perigosa tempestade toque o chão das Carolinas do Norte e do Sul nesta sexta-feira, 14. Ainda na quinta-feira, 13, ao menos 100 mil casas estavam sem energia elétrica na Carolina do Norte.  Os ventos chegavam a 155 quilômetros por hora em Wilmington. “Só porque a velocidade do vento diminuiu, e a intensidade da tempestade baixou, por favor não baixem a guarda”, advertiu Brock Long, diretor da Agência Federal para o Manejo de Emergências (FEMA). 

Apesar de o Florence ter sido rebaixado para categoria 1 na escala de Saffir-Simpson, que vai de 1 a 5, ainda está previsto que será "muito perigoso" quando se aproximar da costa na quinta e na sexta-feira, alertou o Centro Nacional de Furacões (NHC) em seu último boletim.

Na noite de quarta, o Florence avançava sobre o Oceano Atlântico com ventos máximos firmes de 175 km/h - ele poderá perder força lentamente na noite de quinta-feira. De acordo com a trajetória, tocará a terra nos Estados de Carolina do Sul, Carolina do Norte e Virgínia.

As ordens de retirada atingem 1,7 milhão de pessoas nesses três Estados, que já declararam o estado de emergência, assim como Maryland e o distrito federal, Washington DC, mais ao norte. Está previsto que Florence se desvie para o sul em direção a Geórgia, que nesta quarta-feira se somou às declarações de emergência devido à previsão de chuvas e ondas fortes.

"É imperativo que todos sigam as ordens locais de retirada", disse o presidente Donald Trump, que publicou mais cedo no Twitter um vídeo em que pede para as pessoas "não brincarem" com este furacão.

"Esta tempestade é extremamente perigosa. Cuidem-se!" - acrescentou, após assegurar que o governo federal está "pronto" para atender a emergência, rejeitando as críticas por sua resposta no ano passado ao furacão Maria, que deixou 3 mil mortos.

Em Wilmington, um balneário da Carolina do Norte, o sol brilhava durante a tarde, apesar de de o olho do furacão estar a apenas 700 km. Em um bairro de trailers nos arredores, Alondra Espinoza se preparava para partir. "Vamos embora nas próximas horas, está tudo pronto", disse. "Tenho dois filhos e quero levá-los o mais longe possível daqui e dos perigos do furacão".

Óscar Pérez, um jardineiro de origem mexicana que mora nos Estados Unidos há 12 anos, disse que faria o mesmo: "Não há outra alternativa além de ir embora". "Vamos pegar um pouco de comida para sobreviver alguns dias com as crianças e não sabemos o que esperar, temos de acreditar na sorte, o mais importante é se manter vivo. O material é secundário", disse.

As ruas estavam desertas nesta cidade de pouco mais de 100 mil habitantes, com lojas e casas seladas com tábuas de madeira, supermercados vazios e postos de gasolina desabastecidos.

"Muita gente já foi embora. Os meios de comunicação às vezes tendem a tornar as coisas maiores do que realmente são", disse Mary Glover, ao estacionar seu 4x4 para tirar uma foto das mensagens penduradas ao seu redor. "Wilmington está blindado", "Flo, você não é bem-vinda aqui", se lia em frente ao bar Tavern Law. 

'Mike Tyson'   

Jeff Byard, da Agência Federal para o Manejo de Emergências (Fema), advertiu sobre cortes de energia, fechamentos de estradas, danos à infraestrutura e possíveis perdas de vidas, enfatizando a necessidade de se abandonar a região.  Florence vai ser "como um direto de Mike Tyson na costa das Carolinas", disse.

Mas nem todos estavam dispostos a ir embora. Sentado em um banco, Ken Price desfrutava a calmaria antes da tempestade.

"Durante o último furacão, uma árvore caiu sobre a casa de nossos vizinhos, de modo que decidimos descer os colchões para o térreo como medida de precaução, estocamos água e separamos os jogos de tabuleiro para entreter as crianças. Agora só temos de esperar", disse.

Segundo os prognósticos, Florence provocará graves inundações repentinas, descarregando até quase um metro de chuvas em algumas áreas. Também estão previstas ondas de até 3,9 metros em alguns lugares.  

Cerca de 300 km ao sul, em Charleston, uma cidade portuária na Carolina do Sul, Kevin Miller, um eletricista de 50 anos, tampouco temia Florence. "O nível da água subirá um pouco, mas ficaremos bem", disse, lembrando que sobreviveu a Hugo, um furacão devastador de categoria cinco que atingiu a região em 1989, deixando cerca de 50 mortos.

Em Columbia, na Carolina do Sul, cerca de 200 km terra adentro, Barry Sparks estava preocupado com a falta de preparação dos locais. "Inicialmente pensaram que ia ser menos ruim aqui", disse.

Nesta temporada de furacões no Atlântico, que vai de 1 de junho a 30 de novembro, Florence está acompanhada de duas tempestades: o furacão Helene e a tempestade tropical Isaac. O NHC disse que Helene estava perdendo força e não representava nenhum perigo para a população. Já Isaac poderia levar fortes chuvas a Martinica, Dominica e Guadalupe./ AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.