Brendan Smialowsky/AFP
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EUA correm risco sem Start, diz vice

Biden responde à decisão dos republicanos de ameaçar emperrar votação de acordo de redução de arsenais nucleares com a Rússia

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

A Casa Branca alertou ontem que a "segurança nacional será colocada em risco" se o Tratado Redução dos Arsenais Nucleares entre EUA e Rússia, o Novo Start, não for aprovado até o fim do ano. A advertência do vice-presidente Joe Biden foi uma reação à decisão dos republicanos de adiar a votação para 2011. O impasse é o primeiro de uma série de conflitos previstos para os próximos 2 anos, quando os republicanos dominam o Congresso.

Assinado em abril, o tratado impõe um limite ao estoque de ogivas nucleares dos dois países, de 1.550 unidades, e tetos para os arsenais de lançadores de mísseis balísticos e de bombas equipadas com explosivo nuclear. O acordo marcou o chamado recomeço das relações bilaterais entre Washington e Moscou, que envolveu também o apoio dos EUA ao ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC). A Rússia comprometeu-se a votar em favor das sanções contra Teerã no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e permitiu o envio de suprimentos americanos, por seu território, para as tropas americanas no Afeganistão.

"O Novo Start é uma peça fundamental do nosso relacionamento com a Rússia, país que tem sido chave para nossa tarefa de abastecer as tropas no Afeganistão e para as sanções contra o programa nuclear iraniano", afirmou Biden. O vice-presidente ainda reiterou os planos da Casa Branca de investir US$ 80 bilhões na atualização do arsenal nuclear americano nos próximos dez anos.

Diante da ameaça a uma das prioridades de sua política externa, o governo de Barack Obama dispôs-se a aumentar em US$ 4 bilhões as verbas destinadas à modernização de plantas e laboratórios nucleares do país. Trata-se de uma antiga reivindicação republicana. Na última segunda-feira, os secretários de Estado, Hillary Clinton, e de Defesa, Robert Gates, publicaram um artigo conjunto no jornal Washington Post no qual argumentaram que o tratado permitirá a retomada das inspeções americanas aos arsenais nucleares da Rússia, suspensas há quase um ano.

Os esforços não surtiram efeito. Na última terça-feira, o líder da atual minoria republicana no Senado, Jon Kyl, relatou ter informado o senador Harry Reid, líder da maioria democrata, sobre sua posição contrária à tramitação do tratado no fim deste mandato do Congresso. Kyl alegou que o tema é muito complexo - embora tenha sido discutido em 18 audiências públicas neste ano e aprovado pela Comissão de Relações Exteriores em setembro - e a necessidade de o Senado concentrar-se nos temas econômicos e nos problemas não resolvidos sobre a modernização do tratado.

Segundo Sharon Squassoni, diretora do programa de Prevenção à Proliferação do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), a discussão sobre o Novo Start "não está focada no conteúdo do tratado, mas em questões políticas e em verbas".

"O governo Obama terá de fazer muito mais concessões aos republicanos, a partir de janeiro, para ver o Novo Start aprovado. Acredito que isso acontecerá", afirmou. "Se o Senado não aprovar o Novo Start, não será um desastre. Mas, será bastante positivo para a relação bilateral que o tratado entre em vigor".

Comprometimento. No sábado, no Japão, Obama afirmou ao presidente russo, Dimitri Medvedev, estar comprometido com a aprovação do Novo Start neste período de negociação das pendências do Congresso, antes do encerramento de seu mandato. Essas sessões ocorrerão até o dia 3. Depois, as duas Casas entram em recesso até janeiro, quando os parlamentares eleitos em 2 de novembro tomarão posse. Isso significará o controle republicano na Câmara dos Deputados e uma maioria democrata no Senado de apenas três votos, em um período no qual a sucessão presidencial em 2012 estará presente em todos os debates.

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