EUA cortam 40% da ajuda militar ao Paquistão

Casa Branca reduz em US$ 800 milhões o auxílio enviado por ano às Forças Armadas de Islamabad

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK - Os Estados Unidos suspenderão 40% da ajuda financeira às forças militares do Paquistão. A decisão anunciada ontem pela Casa Branca agrava ainda mais a crise nas relações entre Washington e Islamabad, que vêm se deteriorando especialmente depois da ação americana para matar Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, em território paquistanês, há mais de dois meses.

 

Veja também:

link Governo rebate acusação sobre Zawahiri

Ao todo, seriam US$ 800 milhões a menos por ano, de um total de cerca de US$ 2 bilhões que o governo americano fornece às Forças Armadas do Paquistão em uma parceria iniciada há dez anos, de acordo com reportagem do New York Times.

O corte é uma reação à decisão paquistanesa de expulsar instrutores militares americanos e a outras medidas restritivas a diplomatas com base em Islamabad, e também pretende pressionar o governo do Paquistão a combater com mais eficiência militantes ligados a grupos terroristas.

"A relação com o Paquistão é complicada e precisamos trabalhá-la ao longo do tempo. Até superarmos estas dificuldades, congelaremos parte do dinheiro dos contribuintes americanos que seria direcionado a eles", disse William Daley, chefe de gabinete da Casa Branca, em entrevista à rede de TV ABC. Além da ajuda militar, os americanos contribuem com US$ 1,5 milhão para órgãos civis do governo em Islamabad.

O Paquistão afirmou não ter sido notificado sobre a suspensão da ajuda e o general Athar Abbas chegou a ironizar os americanos, dizendo que o Paquistão não precisa do dinheiro. "Conduzimos nossas operações militares contra extremistas sem ajuda", declarou o militar, que serve como um porta-voz do Exército do país.

O general Ashkaf Kayani, principal autoridade militar do Paquistão, acrescentou que a ajuda econômica dos Estados Unidos deveria, na verdade, ser direcionada ao governo civil, que estaria precisando mais do dinheiro. O ex-ministro do Interior do Paquistão Moinuddin Haider disse que os Estados Unidos deveriam rever a decisão. "Isso apenas aumentará o antiamericanismo no país", afirmou.

Nos últimos dias, além das medidas tomadas contra militares e diplomatas americanos com base no Paquistão, o governo de Islamabad ficou irritado com a declaração de Mike Mullen, chefe das Forças Armadas dos Estados Unidos, acusando a ISI (agência de inteligência paquistanesa) de estar por trás da morte do jornalista investigativo Saleem Shahzaad, em maio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.