EUA criticam Brasil por posição sobre Irã

Subsecretária de Estado para Controle de Armas cobra apoio brasileiro contra Teerã e mais[br]compromisso com o TNP

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

Nenhum país preocupado com a proliferação de armas nucleares deveria querer adiar sanções contra o Irã. Esse foi o recado dado ontem para o governo brasileiro pela subsecretária de Estado para Controle de Armas dos EUA, Ellen Tauscher.

Respondendo a uma pergunta do Estado, Ellen disse que não há mais espaço para adiar ou suspender possíveis sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por causa do programa nuclear de Teerã. O presidente Luís Inácio Lula da Silva propôs a seu colega americano, Barack Obama, na semana passada, que seja dado mais tempo ao Irã, permitindo uma solução negociada.

"Nós achamos que ninguém no mundo que esteja preocupado com proliferação nuclear deva pensar em adiar sanções (contra o Irã)", disse Ellen. "Já houve muita demora por parte do Irã, com sua falta de transparência, e eles precisam dar confiança à comunidade internacional sobre o que eles estão fazendo."

A subsecretária de Estado americana deixou claro que os EUA esperam que o Brasil assine o protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação (TNP), em maio, durante o encontro de revisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Nova York.

"O presidente Obama espera que todos os países firmem o protocolo adicional e o TNP", disse. O documento estabelece inspeções abrangentes em instalações nucleares, incluindo visitas de surpresa. O Brasil é um dos poucos que não assinaram o protocolo. A posição do governo é de rejeitar novos compromissos dentro do TNP, até que os países detentores de armas nucleares cumpram sua parte no tratado, que é o desarmamento.

PARA ENTENDER

O protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação (TNP) permite que a Agência Internacional de Energia Atômica faça inspeções mais rígidas e exija informações mais detalhadas sobre os programas nucleares de seus signatários. Elaborado em 1997, ele foi ratificado por 93 dos 189 membros do TNP.

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