EUA criticam Chávez por ordem de prisão contra dono de TV

Para Departamento de Estado, esse é o mais recente exemplo dos ataques da Venezuela à liberdade de expressão

Afp e Efe, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2010 | 00h00

CARACAS

O governo americano disse ontem que está "seriamente preocupado" com a ordem de prisão contra o dono da emissora de oposição venezuelana Globovisión, Guillermo Zuloaga. Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, a medida é o mais recente exemplo do ataque contínuo de Caracas contra a liberdade de expressão.

Ontem, Zuloaga declarou por telefone a sua emissora, de um local não revelado, que não se entregará à Justiça e disse que está sendo vítima de uma caça às bruxas por parte do presidente Hugo Chávez. Ele está desaparecido desde sexta-feira, quando foi emitida a ordem de prisão.

Em seu programa dominical, o presidente exigiu que Zuloaga se entregue e enfrente a Justiça pelas acusações de usura e conspiração, por esconder ilegalmente 24 automóveis Toyota em sua residência para especular com os preços. Zuloaga é o presidente e o maior acionista da Globovisión, o único canal de TV de oposição a Chávez que ainda mantém sua programação no ar, e dono de concessionárias de automóveis.

A promotoria emitiu a ordem contra o empresário uma semana após Chávez lamentar que Zuloaga continuasse livre, apesar das acusações. "Emitem uma ordem de captura contra um burguês e começam a dizer que é a tirania de Chávez", criticou em seu programa Alô, Presidente.

"E esse senhor, por que não se apresenta? Foge e seus amigões da SIP e da Espanha começam a expressar-lhe solidariedade", disse Chávez, referindo-se à Sociedade Interamericana de Imprensa e à Federação de Associações de Jornalistas da Espanha.

A crítica dos EUA coincidiu com uma carta da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, acusando o governo venezuelano de usar o sistema penal para calar críticos e dissidentes.

Intervenção. O governo decretou ontem a intervenção por 60 dias do Banco Federal, uma instituição privada de porte médio, alegando falta de liquidez. O banco, que tem 152 agências, é presidido por Nelson Mezerhane, um dos principais acionistas da Globovisión. Desde novembro, o governo interveio em mais de uma dezena de bancos. /

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