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EUA criticam enriquecimento de urânio norte-coreano

Regime diz que atingiu etapa final do procedimento, que dará um segundo meio para fabricar armas nucleares

04 de setembro de 2009 | 08h40

O enviado especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, afirmou nesta sexta-feira que a declaração do país asiático de que está perto de completar o enriquecimento experimental de urânio "merece preocupação". A Rússia também criticou Pyongyang, chamando de "muito alarmante" o atual estágio do enriquecimento de urânio da Coreia do Norte, segundo a agência oficial de notícias Interfax citando um funcionário não identificado do Ministério das Relações Exteriores.

 

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A Coreia do Norte anunciou na véspera que está no estágio final do programa de enriquecimento de urânio, um processo que dará ao país comunista um segundo meio de fabricar armas nucleares. "Temos realizado com êxito os testes para enriquecer urânio e agora começamos a fase final", informou a agência oficial norte-coreana KCNA, citada pela agência sul-coreana Yonhap. O regime de Kim Jong-il também revelou que está levando adiante o processo paralelo de extração de plutônio das barras de combustível nuclear de seu reator em Yongbyan. "O plutônio extraído está sendo transformado em armas", disse a delegação norte-coreana na ONU em uma carta ao Conselho de Segurança, segundo a KCNA.

 

"Obviamente, qualquer coisa que a Coreia do Norte está fazendo na área de desenvolvimento nuclear é uma preocupação para nós", afirmou o enviado norte-americano. "Eu creio que, para todos nós, isso reconfirma a necessidade de se manter uma posição coordenada com a finalidade de um desmantelamento nuclear verificável completa da península coreana", explicou.

 

Bosworth colocou que suas conversas com representantes chineses sobre a disputa nuclear com a Coreia do Norte foram boas, mas não ofereceu mais detalhes. Ele irá a Seul para negociações e depois a Tóquio, mas disse não ter planos de se reunir com representantes da Coreia do Norte.

 

A Coreia do Norte já demonstrou que pode iniciar uma explosão nuclear usando plutônio, que é produzido usando reatores nucleares. Pyongyang, que realizou seu segundo teste nuclear em 25 de maio, parou de levar a cabo o acordo com os seis países sob o qual desistiria de suas ambições nucleares em troca de benefícios econômicos e diplomáticos.

 

A Coreia do Norte destacou que está preparada "tanto para o diálogo quanto para sanções", mas disse que se o Conselho de Segurança apostar na segunda opção, responderá impulsionando sua capacidade nuclear. O anúncio ocorre após o regime comunista indicar que estaria disposto a um diálogo direto com os EUA sobre seu programa nuclear e ter reduzido as tensões com a Coreia do Sul, por meio da reabertura da fronteira entre os dois países.

 

Durante anos o regime de Pyongyang negou ter um programa de enriquecimento de urânio, mas em junho confirmou oficialmente que havia iniciado o processo, em resposta às sanções da ONU pelo teste nuclear de maio. Diante das constantes suspeitas dos EUA sobre seu programa de enriquecimento de urânio, Pyongyang sempre admitiu avanços na extração de plutônio, um processo fácil e barato, com o qual realizou dois testes nucleares em 2006 e este ano.

 

Os Estados Unidos dizem que estão dispostos a conversar com a Coreia do Norte, mas somente no marco das negociações entre seis partes - das quais participam, além das duas Coreias, Japão, Rússia e China -, paralisadas em dezembro. Sobre as conversações, o governo norte-coreano voltou ontem a expressar sua oposição ao processo que, segundo ele, foi utilizado contra a Coreia do Norte. No entanto, destacou que nunca se opôs à desnuclearização da Península Coreana nem do mundo.

 

DA NATUREZA PARA A USINA ATÔMICA

 

- Na natureza: O urânio, elemento mais pesado da natureza, é constituído por 3 isótopos radioativos: 99,3% do urânio que existe é do tipo U-238, que não sofre fissão. Os outros dois tipos, o U-235 e o U-234, representam cerca de 0,7% do urânio da natureza e é o material físsil usado para produzir energia

 

- O 'yellowcake': O primeiro passo para produzir energia é extrair urânio do minério por tratamento com ácidos, purificá-lo e concentrá-lo sob a forma de um bolo amarelo, o chamado ‘yellowcake’ (U3O8)

 

- Gás: Em seguida, o ‘yellowcake’ é dissolvido e convertido para o estado gasoso, tornando-se hexafluoreto de urânio (UF6), que em breve estará pronto para o processo de enriquecimento

 

- Enriquecimento e transformação em pó: A operação de enriquecimento de urânio tem por objetivo aumentar a concentração do U-235. O hexafluoreto de urânio é transformado em dióxido de urânio (UO2). A reconversão é o retorno do gás UF6 ao estado sólido, sob a forma de pó de dióxido de urânio.

 

- Pastilhas: Depois de compactado, o pó de urânio é transformado em pequenas

pastilhas, que são colocadas em varetas metálicas e usadas como combustível para as usinas nucleares

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