EUA criticam falta de engajamento europeu no Afeganistão

Secretário de Defesa americano acusa Otan de falta de estratégia e alerta para divisão na aliança

Agências internacionais,

10 de fevereiro de 2008 | 12h45

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou neste domingo, 10, que a Europa precisa se convencer de que a missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão é parte de uma luta contra o terrorismo global. Gates disse ainda "a Otan corre o risco de se dividir em duas, entre os países que falam da estabilidade e os que lutam por ela".   Gates afirmou que a Otan não cumpriu os objetivos da missão no país e apontou como problema o nível de treinamento, capacidade e estratégia das tropas no terreno seja muito diferente. "Os países que participam da missão cumpriram seus objetivos, mas a Otan, em seu conjunto, não", disse Gates, que abriu o segundo e último dia da Conferência sobre Políticas de Segurança de Munique com um debate sobre o Afeganistão.   Entre as razões que, de acordo com Gates, impediram avançar ainda mais na missão no Afeganistão, estão a falta de estratégia e coordenação das forças no terreno - cerca de 50 mil efetivos de 40 nações diferentes - e um diferente grau de solidariedade interna.   "Temos que recuperar a capacidade de pensar e agir com mais rapidez e flexibilidade", disse Gates, para quem a operação no Afeganistão é a prova de fogo da Otan, e é fundamental para a segurança e estabilidade no mundo.   "Em um nível conceitual, acredito que as deficiências honestamente estejam em limites tradicionais do propósito da aliança: defender os interesses de segurança e os valores da comunidade transatlântica", disse Gates aos principais representantes de segurança dos países.   Gates não citou nenhum país concretamente, "porque todos nós sabemos que são", mas disse que essa situação é uma verdadeira ameaça para a Otan e para a missão, que, segundo ele, também deve melhorar com "mais coordenação".   Segundo o secretário americano, um fracasso no Afeganistão seria um caldo de cultura para os extremistas no mundo todo, "uma ameaça que muitos não avaliam, mas que é muito real".

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