EUA culpam argentinos por crise econômica

Ao longo dos últimos anos, os diversos homens que passaram por "el sillón de Rivadavia" - como é conhecida a cadeira presidencial - afirmavam que osdescalabros econômicos da Argentina eram causados por crises noexterior, pela desvalorização brasileira ou as exigências dosorganismos internacionais de crédito. Mas, para a Comissão EconômicaConjunta do Congresso dos EUA, os culpados da intermitente criseeconômica argentina são os vários governos que este país tevenos últimos anos.Em um relatório denominado "A crise argentina: causas ecuras", a Comissão dispara uma saraivada de críticas a todos osex-presidentes, desde Carlos Menem (1989-99) até a atualidade. O coordenador do relatório foi o vice-presidente da Comissão, o republicano Jim Saxton, conhecido por ser defensor da política de linha dura do governo do presidente George W. Bush. O estudo preparado pelo Congresso define a Argentina como um país que estava "entre os mais ricos no começo doséculo XX, para passar a ser hoje um país pobre com um crescimento inusualmente lento".O estudo indica que as causas externas dispararam acrise inicial, mas não foram os responsáveis por transformar arecessão em depressão. Além disso, ao contrário de muitoseconomistas internacionais, o material coordenado por Saxton nãoculpa a conversibilidade econômica, que durante uma década(1991-2002) estabeleceu a paridade um a um entre o peso e odólar.Outro relatório, preparado por Heidi Cruz, assessorapara assuntos internacionais do Tesouro dos EUA, indica quaissão as reformas que o governo do presidente americano GeorgeBush considera "absolutamente imperativas". O relatório afirma que é necessário um ajuste nos bancos além de um novo acordo sobre a distribuição da arrecadação tributária entre a União e as províncias. Além desse estudo do Tesouro americano, outro relatório,preparado pelos economistas Ana Eiras e Stephen Johnson, daHeritage Foundation, indica que "o governo Bush não deveriaapoiar o financiamento para a Argentina até que o governoKirchner apresente um programa de reformas que seja verossímilpara evitar que o dinheiro seja mal gasto".

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