EUA decidem boicotar governo de unidade palestina

Os Estados Unidos vão boicotar todos os ministros do novo governo palestino de unidade nacional, inclusive os que não sejam membros do Hamas, até que as exigências internacionais sejam atendidas, disseram diplomatas e uma fonte palestina nesta quinta-feira, 15. Algumas autoridades norte-americanas defendiam uma mudança de modo que Washington estabelecesse contatos diplomáticos limitados com ministros ligados ao Fatah, do moderado presidente Mahmoud Abbas, e outros partidos que não o Hamas. Segundo assessores de Abbas, os Estados Unidos informaram o presidente que evitarão o governo palestino caso a existência de Israel não seja reconhecida.Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, disse que os EUA não julgarão o governo palestino antes que ele seja formado e antes que tenha uma plataforma oficial. A administração americana também vai observar as ações do governo assim que ele tomar posse. Mas uma importante autoridade palestina disse que "os americanos nos informaram que vão boicotar o novo governo comandado pelo Hamas". "Os ministros do Fatah e os independentes serão tratados da mesma forma como os ministros do Hamas", acrescentou. Diplomatas familiarizados com a questão confirmaram a intenção norte-americana de isolar o novo governo caso a coalizão palestina não reconheça a existência de Israel, renuncie à violência e aceite os acordos de paz prévios. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse nessa quinta que a nova unidade de governo palestina deve "abertamente e claramente" concordar com as exigências, reconhecendo Israel."Não é possível chegar a lugar nenhuma com um Hamas que não reconhece a existência de Israel", disse Olmert."Esperamos isso de todos os governos palestinos: a continuar na direção do mapa e aceitar as exigências do quarteto (do Oriente Médio, consistido por EUA, UE, ONU e Rússia). Essa garantia deve ser executada bem abertamente e claramente sem exitações".Exigências internacionais O grupo islâmico Hamas, que há quase um ano controla o governo palestino, nunca aceitou essas exigências internacionais, o que atraiu sanções à Autoridade Palestina. A formação de uma coalizão com o Fatah é uma tentativa de acabar com essas sanções e encerrar as disputas internas que provocaram mais de 90 mortes desde dezembro. As fontes diplomáticas disseram que as amistosas relações dos EUA com Abbas foram abaladas por causa da formação da coalizão, mas que Washington deve manter os contatos com ele. Os EUA ainda não fizeram comentários oficiais, alegando estarem esperando que o novo governo palestino tome forma. Abbas participa na segunda-feira, 19, de uma cúpula com a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, e com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. Ainda nesta quinta-feira, o presidente palestino deve se encontrar em Gaza com o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, para tentar resolver os últimos detalhes que ainda impedem a formação do governo definido pelas facções na semana passada em Meca (Arábia Saudita). Abbas adiou repentinamente nesta quinta um pronunciamento que faria sobre o novo governo - algo que um funcionário atribuiu a uma disputa de última hora com o Hamas. "O Hamas impôs várias condições inaceitáveis, que não podemos implementar. O acordo de Meca não pode ser reinterpretado e deve ser implementado imediatamente, sem quaisquer condições", afirmou o funcionário palestino. Ghazi Hamad, porta-voz do atual governo liderado pelo Hamas, disse à Rádio do Exército de Israel que "há um monte de problemas" nas negociações, como a nomeação de um ministro do Interior, pasta que supervisiona os serviços de segurança. Outra questão ainda não resolvida seria o destino dos 5.600 membros da força policial "executiva" do Hamas. O Fatah quer dissolvê-la, o que o grupo islâmico rejeita. Ampliado às 16h00.

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