Arte/estadão.com.br
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EUA declaram 'interesse' em disputa da China sobre ilhas ao sul do país

Postura pode irritar Pequim, que crê que o assunto não deve receber interferência estrangeira

Assocaited Press

23 de julho de 2010 | 09h29

HANÓI - O governo dos EUA entrou no polêmico assunto das disputas territoriais da China sobre as ilhas ao sul do país nesta sexta-feira, 23, ao declarar que o assunto é "do interesse nacional americano", em um ato que pode gerar tensões entre as duas potências mundiais.

 

Durante o fórum regional da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que o governo está preocupado com o fato de que a disputa sobre as ilhas Paracel e Spratly pode interferir no comércio marítimo, impedir o acesso a águas internacionais na região e minar as leis marítimas internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

"Os EUA têm interesse" em resolver o problema, disse Hillary. "Apoiamos um processo de diplomacia colaborativa por todos as partes envolvidas para resolver as várias disputas territoriais sem coerção. Nos opomos a qualquer uso de força ou ameaça", completou a diplomata.

 

Hillary ainda destacou que os EUA não apoiam as reclamações de nenhum país sobre a soberania das ilhas. Seus comentários, porém, devem irritar Pequim, que mantém a soberania do Mar do Sul da China e insiste em resolver a disputa diretamente com os outros países que clamam a área sob seu território.

 

Segundo Hillary, os EUA estão dispostos a trabalhar com todas as partes envolvidas - China Vietnã, Taiwan, Malásia, Brunei e as Filipinas - para acabar com as disputas por meio das negociações.

 

O Ministério de Exteriores da China não comentou as declarações da americana, mas autoridades dos EUA presentes ao encontro disseram que o chanceler chinês, Yang Jiechi, repetiu a posição oficial de Pequim de que "as disputas não devem ser internacionalizadas".

 

Os conflitos territoriais no Mar do sul da China ocasionalmente levam a confrontos armados, embora Pequim e outros governos juraram resolver tudo de forma pacífica por meio de um código de conduta assinado em 2002.

 

Forças chinesas cercaram a ilha Paracel em 1974 e afundaram três barcos do Vietnã em batalhas navais em 1988. Os lados ainda não demarcaram suas fronteiras marítimas e muitos vietnamitas permanecem receosos com o assunto. Além de ser rica em pesca, acredita-se que a área tenha grandes reservas de petróleo e gás natural.

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