EUA defendem entrada da Turquia na UE

Pedido de Obama, em Praga, foi rejeitado por Sarkozy

Jamil Chade, PRAGA, O Estadao de S.Paulo

06 de abril de 2009 | 00h00

Os Estados Unidos querem que a União Europeia (UE) inclua seu primeiro membro muçulmano: a Turquia. Ontem, o presidente Barack Obama pediu durante a Cúpula de Praga que os europeus aceitem o país no bloco, que tem 27 integrante e, nos últimos anos, passou a incluir países que faziam parte da área de influencia da ex-União Soviética. Mas, nem bem terminada a cúpula, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, rejeitou o pedido de Obama.O assunto da integração turca na UE é uma antiga polêmica no bloco. Obama fez a declaração poucas horas antes de chegar à Turquia, primeiro país muçulmano a ser visitado pelo novo presidente americano. A mensagem foi carregada de simbolismo, indicando que a Casa Branca quer o diálogo com o mundo muçulmano, ainda que por meio de seu aliado mais próximo, os turcos.Mas, em um cenário onde todos tentavam mostrar cooperação, o tema causou certa irritação entre membros da UE que são contrários à adesão da Turquia. "Os Estados Unidos e a Europa devem lidar com o mundo muçulmano como nossos amigos, vizinhos e parceiros na luta contra a injustiça, intolerância e violência, forjando uma relação baseada em respeito e interesses mútuos", disse Obama. "Avançar na integração da Turquia na União Europeia seria um sinal importante de compromisso com essa agenda e para garantir que continuemos a ancorar a Turquia firmemente na Europa", disse. O comentário não foi bem recebido nem pela Alemanha nem pela França. Sarkozy deixou claro que a decisão não cabe aos Estados Unidos, mas aos membros do bloco. "Sempre fui contra essa adesão." Segundo ele, a maioria dos membros da UE compartilha da visão francesa. "Minha posição não mudará", disse, ao ser questionado se o apoio de Obama o faria repensar seu ponto de vista. "Há uma negociação para a adesão da Turquia. Mas apenas ao fim do processo é que veremos se o país está pronto para entrar e se o bloco está pronto para aceitar", disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.Preocupações em relação a violações aos direitos humanos na Turquia têm sido um dos principais obstáculos à adesão, assim como problemas territoriais com o Chipre e a falta de reformas políticas. Para os turcos, a rejeição da UE é motivada pelo medo de ter um membro de maioria muçulmana.ENTUSIASMOSe as declarações do Obama não foram bem recebidas pelos líderes europeus, para o povo, foram motivo de euforia. Discursando aos pés do Castelo de Praga, Obama falou em um checo quase perfeito as palavras Revolução de Veludo - Sametova Revoluce -, para uma plateia que delirou, 20 anos após a queda do comunismo. "Eu amo Obama", gritava Mirka, de 22 anos, uma eslovaca que foi de Brastislava até Praga para ver seu ídolo. "Jamais faria isso por meu próprio presidente", disse a estudante.

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