EUA defendem 'Twitter cubano' e tema irá ao Congresso

A Casa Branca defendeu a criação do "Twitter Cubano" e o chefe da agência do governo que criou secretamente a rede de microblog deverá participar de uma audiência no Congresso dos EUA na próxima semana.

AE, Agência Estado

04 de abril de 2014 | 02h53

Uma investigação conduzida pela Associated Press concluiu que a rede foi construída secretamente com empresas de fachada e financiada por um banco estrangeiro para atrair a audiência cubana em um primeiro momento e, posteriormente, conduzi-los à dissidência e desestabilizar o governo cubano.

O funcionário sênior da Agência para o Desenvolvimento Internacional Rajiv Shah deverá testemunhar na terça-feira em uma subcomissão do Senado sobre o orçamento da agência. A audiência deverá esclarecer algumas questões em torno do programa clandestino, incluindo se a administração Obama adequadamente informou o Congresso dos planos.

A rede, conhecida como ZunZuneo, foi criada em 2010 e alcançou 40 mil inscritos. No entanto, os cubanos não tinham conhecimento de que a rede foi criada pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional, supervisionada pelo Departamento de Estado. Eles também não sabiam que os funcionários responsáveis pelo programa reuniam informações pessoais sobre eles, na esperança de que elas pudessem ser usadas com objetivos políticos no futuro.

Documentos obtidos pela AP revelaram que a equipe norte-americana encontrou evidências de que funcionários cubanos tentaram rastrear as mensagens e entrar no sistema do ZunZuneo. A rede parou de funcionar em setembro de 2012 quando uma licença do governo chegou ao fim.

Funcionários da administração de Barack Obama disseram na noite de quinta-feira que essa não era uma operação secreta que precisava da aprovação da Casa Branca e que foi discutida no Congresso, embora a lei norte-americana exija autorização por escrito do presidente para operações secretas.

Dois democratas seniores dos comitês de inteligência e judiciário do Congresso declararam não saber nada sobre a iniciativa. O porta-voz da Casa Branca Jay Carney também disse não ter conhecimento de pessoas na Casa Branca que soubessem do programa.

A revelação da atuação dos EUA na criação do ZunZuneo gerou insatisfação no governo de Cuba. "O governo dos EUA deve respeitar as leis internacionais e os objetivos e princípios do quadro da Organização das Nações Unidas (ONU) e, portanto, cessar as ações ilegais e clandestinas contra Cuba, que são rejeitadas pelo povo cubano e pela opinião pública", afirmou Josefina Vidal, diretora para assuntos norte-americanos no Ministério de Relações Exteriores de Cuba, em comunicado no fim da noite de ontem. Fonte: Associated Press.

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