EUA deixam cidades no Iraque e força nacional assume controle

Governo decreta ''dia da soberania'' para celebrar retirada, apesar da retomada da violência

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

As forças de combate americanas se retirarão hoje das ruas das cidades do Iraque, passando inteiramente o controle da segurança dessas áreas para o governo iraquiano, que enfrenta, há alguns dias, um recrudescimento da violência.Buscando demonstrar independência em relação aos EUA, o premiê Nuri al-Maliki designou o dia 30 como o da "soberania nacional" e decretou feriado. Como medida de segurança, o governo proibiu que motos circulem pelas ruas de Bagdá, após militantes utilizarem esses veículos em atentados recentes. Os habitantes também foram instruídos a evitar aglomerações.Autoridades americanas e iraquianas afirmam que a atual onda de violência - que deixou mais de 250 mortos na última semana - busca sabotar o progresso obtido pelo governo do Iraque no último ano, e acusam a rede terrorista Al-Qaeda de estar por trás dos atentados. Hoje, os insurgentes contam com bem menos apoio do que durante o início da ocupação americana, em 2003, por causa do enorme número de iraquianos mortos em ataques de grupo rebeldes.A remoção das forças americanas das cidades iraquianas faz parte de um plano mais amplo que culminará na total retirada das tropas dos EUA do Iraque até 2011. ACORDOS E TRÉGUASEntre 2006 e 2007, os iraquianos estavam praticamente em uma guerra civil, com um elevado número de baixas militares americanas. Mas o aumento das tropas dos EUA no Iraque, somado a um acordo com líderes sunitas e uma trégua de milícias xiitas contribuiu para uma redução da violência.A saída das forças americanas das cidades não implicará, por enquanto, em uma retirada das tropas de outras zonas. Não haverá restrições para operações das forças dos EUA, apesar de, agora, ser necessário uma coordenação com as autoridades iraquianas.Maliki, um muçulmano xiita, conseguiu se fortalecer no último ano e hoje conta até mesmo com o apoio de facções sunitas. A retirada parcial tem o respaldo de grande parte dos políticos iraquianos. "O dia 30 de junho é uma data importante para a segurança e esse sentimento é compartilhado por todos os iraquianos", disse Salim al-Jabouri, porta-voz de um partido sunita iraquiano.O sucesso da retirada será medido na eleição de janeiro, quando todas as facções iraquianas disputarão cadeiras no Parlamento. Em Washington, segundo a revista Newsweek, ficou definido que o vice-presidente Joe Biden passará a ter um papel de comando nas relações dos EUA com o Iraque.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.