Jose Romero/US Department of Justice/AFP
Jose Romero/US Department of Justice/AFP

EUA deportam para Alemanha ex-guarda de campo de concentração nazista de 95 anos

Friedrich Karl Berger foi deportado por ter sido guarda armado em um subcampo do campo de concentração Neuengamme, em 1945

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2021 | 11h53
Atualizado 20 de fevereiro de 2021 | 14h41

WASHINGTON - Um ex-guarda de um campo de concentração nazista de 95 anos que vivia nos Estados Unidos foi deportado para a Alemanha neste sábado, 20, informou o Departamento de Justiça americano. Ele vivia nos EUA desde 1959. 

Friedrich Karl Berger foi deportado por ter sido guarda armado em um subcampo do campo de concentração Neuengamme, em 1945, como explicou o departamento e a agência de imigração e fiscalização alfandegária (ICE, na sigla em inglês). O alemão admitiu ter trabalhado no campo nazista. O caso foi investigado pelo Departamento de Justiça dos EUA.

"A deportação de Berger demonstra o compromisso do Departamento de Justiça e das autoridades em garantir que os Estados Unidos não sejam um lugar seguro para aqueles que participaram de crimes nazistas contra a humanidade e de outros abusos aos direitos humanos", disse o secretário de Justiça interino, Monty Wilkinson.

Sua deportação foi determinada por um tribunal de imigração de Memphis, Tennessee, Estado onde ele vivia, em fevereiro de 2020.

Berger desembarcou em Frankfurt, onde será interrogado. Ainda não está claro se ele será julgado em seu país de origem. A Justiça alemã abandonou o processo contra Berger em dezembro de 2020, citando evidências insuficientes.

De acordo com um comunicado do ICE, Berger serviu no subcampo perto de Meppen, Alemanha, onde prisioneiros - russos, poloneses, holandeses, judeus e outros - foram mantidos em condições "atrozes" e "trabalhado até a exaustão e morte".

Berger admitiu que vigiava prisioneiros para impedi-los de escapar. Ele também acompanhou os prisioneiros na retirada forçada do campo que resultou na morte de 70 deles. Ele afirmou, porém, que apenas seguia ordens.

O alemão admitiu ter servido como guarda por algumas semanas perto do fim da 2ª Guerra, mas disse que não observou nenhum abuso ou assassinato, informou a agência de notícias DPA.

Julgamentos de Nuremberg

Mais de 40 mil prisioneiros morreram no campo de concentração de Neuengamme, de acordo com os registros históricos.

Em seu processo de deportação, o Departamento americano de Justiça reuniu provas de arquivos americanos e europeus, "incluindo registros do histórico julgamento de Nuremberg".

Este ano, completa-se o 75º aniversário dos Julgamentos de Nuremberg, durante os quais juristas dos países Aliados, vencedores da 2ª Guerra, submeteram a processo as principais figuras do regime nazista sob a lei internacional. Doze acusados foram condenados à morte. /AFP e AP  

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