EUA desistem de pressão sobre Israel

De acordo com fontes diplomáticas, Washington abandona exigência de congelamento de assentamentos para salvar processo de paz

, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2010 | 00h00

WASHINGTON

Funcionários americanos declararam ontem que o governo do presidente Barack Obama abandonou os esforços para convencer Israel a congelar as construções na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental - uma exigência para a retomada das negociações de paz palestino-israelenses. Jerusalém Oriental e Cisjordânia foram ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Depois de meses tentando chegar a uma fórmula sob a qual Israel retomaria o congelamento das construções em troca de incentivos dos Estados Unidos, dois funcionários americanos familiarizados com as negociações disseram - sob condição de anonimato - que o governo concluiu que esses esforços não eram o melhor meio de relançar as conversações.

Mas, segundo eles, a Casa Branca não planeja abandonar os esforços para obter o diálogo direto e alcançar um acordo de paz palestino-israelense. "Não estamos mudando o curso."

"Ainda estamos comprometidos com ambas as partes nos temas centrais e continuaremos juntos para conseguir um acordo-base", do qual se falou durante o relançamento das conversações em setembro, em Washington, disse a fonte. Os funcionários contaram que negociadores palestinos deverão ser recebidos em Washington na semana que vem para consultas do governo sobre a questão.

De acordo com uma das fontes, a intenção dos EUA é empenhar os dois lados em assuntos-chave para a negociação de paz nos próximos dias. Estados árabes e outros países interessados na questão também deverão ser consultados.

As negociações diretas entre israelenses e palestinos estão suspensas desde que a moratória de dez meses a construções em territórios ocupados expirou, no fim de setembro. Pouco depois desse prazo, Israel retomou as construções em seus assentamentos. Os palestinos rejeitam retomar as negociações enquanto os israelenses não pararem de construir novas casas para judeus nos territórios ocupados. As conversações ficaram paralisadas por dois anos após o ataque de Israel à Faixa de Gaza.

Ontem, o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, declarou que os EUA teriam suspendido as tentativas de retomar as negociações de paz por causa dos vazamentos do site WikiLeaks. Mas o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, rebateu a afirmação: "O processo não parou. Nossos esforços não estão suspensos", disse.

Os EUA esperavam que uma nova moratória nas construções permitira que palestinos e israelenses trabalhassem para alcançar um acordo sobre suas futuras fronteiras. Com as fronteiras determinadas, Israel poderia voltar a construir em qualquer território que ficaria sob seu controle após um acordo de paz final. / ASSOCIATED PRESS

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