EUA desmentem morte de civis pela coalizão

ONU deixa claro que zona de exclusão aérea era essencial para proteger a população, defende a Casa Branca

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / SANTIAGO

Ao ser confrontado com a condenação dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) à intervenção militar de EUA, França e Grã-Bretanha na Líbia, o governo americano informou que não há registro de que mortes de civis tenham sido provocadas pelas forças de coalizão. Insistiu ainda que a zona de exclusão aérea é uma resposta do Conselho de Segurança da ONU com objetivo de defender a população da violência do regime de Muamar Kadafi.

"Nossos militares não registraram a morte de civis pelas mãos da coalizão e eles são as fontes mais confiáveis para essa questão", afirmou o conselheiro-adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, Benjamin Rhodes. "As mortes de civis vão continuar nas próximas semanas pelas mãos de Kadafi."

Rhodes argumentou que, tanto em público quanto em privado, as Nações Unidas deixaram clara sua avaliação de que a ausência de uma zona de exclusão aérea na Líbia não permitiria a proteção do povo líbio. Acentuou ainda que os países Bric se abstiveram de votar a Resolução 1.973 do Conselho de Segurança, o texto que autorizou a adoção da zona de exclusão.

Segundo o secretário, a atuação da coalizão (que recebeu o apoio da Liga Árabe, mas depois acabou sendo criticada) está transcorrendo com "precauções para evitar a morte de civis líbios". "Nós tomamos todo o cuidado para levar adiante esse objetivo", afirmou. "O que não podemos tolerar é o risco de aumentar a morte de civis pelas mãos do regime de Kadafi."

Afeganistão, Minutos antes, Rhodes havia expressado a indignação de Washington com a divulgação de fotos de soldados americanos em ações contra civis afegãos. As imagens devem debilitar ainda mais a relação entre o governo Obama e o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. O líder afegão queixou-se seguidas vezes da violência das tropas americanas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a população. "Deploramos o que há nessas fotos, pois deploramos a violência contra cidadãos afegãos de qualquer forma", afirmou Rhodes. "O presidente Obama está ciente e vamos abrir processo legal contra as pessoas envolvidas e associadas a essas fotos."

Conforme informou, Obama comprometeu-se com Karzai a conter a violência no Afeganistão, país ocupado por uma coalizão liderada pelos EUA desde 2001. Três das fotos foram publicadas pela revista Der Spiegel e mostram soldados americanos de um grupo denominado "Equipe da Morte" com um afegão supostamente morto por eles.

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