AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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EUA destinarão US$ 32 mi em ajuda humanitária para refugiados rohingyas

Secretário de Estado americano pediu à líder de Mianmar, Aung Sang Suu Kyi, que afronte as ‘preocupantes’ denúncias de abusos de direitos humanos no país

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 12h44

NOVA YORK, EUA - O governo dos EUA anunciou nesta quarta-feira, 20, uma ajuda adicional de US$ 32 milhões em assistência humanitária aos milhares de muçulmanos rohingyas que fugiram de Mianmar para Bangladesh. 

O Departamento de Estado anunciou a ajuda em um comunicado que coincide com a realização dos debates da Assembleia-Geral da ONU em Nova York, cujo um dos principais temas neste ano é precisamente reforçar a assistência humanitária às emergências em curso.

Os novos fundos "refletem o compromisso americano em ajudar a enfrentar a magnitude sem precedentes do sofrimento e das necessidades urgentes do povo rohingya", indicou o Departamento de Estado.

Com os US$ 32 milhões anunciados, a ajuda humanitária dada pelos EUA aos deslocados em Mianmar e refugiados em toda a região chega a quase US$ 95 milhões no atual ano fiscal.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, pediu na terça-feira à líder birmanesa, Aung Sang Suu Kyi, que afronte as "preocupantes" denúncias de abusos de direitos humanos em Mianmar, e facilite a ajuda humanitária aos deslocados.

Tillerson, que está em Nova York para os debates da Assembleia-Geral da ONU, conversou por telefone com Suu Kyi para "falar sobre a crise humanitária". Durante a chamada, ele "pediu ao governo e às forças armadas birmanesas que facilitem ajuda humanitária às pessoas deslocadas nas áreas afetadas e afrontem as denúncias profundamente preocupantes de abusos de direitos humanos e violações", segundo o Departamento de Estado.

Suu Kyi condenou qualquer violação de direitos humanos que tenha sido cometida contra os muçulmanos rohingyas, e expressou preocupação pelo êxodo de milhares de membros da comunidade. 

Distribuição

Bangladesh ordenou nesta quarta-feira que suas forças armadas participem da distribuição de ajuda humanitária e da construção de abrigos para os refugiados rohingyas, indicou uma fonte do governo.

O Exército nacional vai se posicionar na região de Cox's Bazar, anunciou Obadiul Quader, funcionário muito influente no governo da primeira-ministra Sheikh Hasina, e segundo mais alto dirigente do partido no poder, o Awami League.

Mais de 420 mil rohingyas se refugiaram em Bangladesh em razão da violência em Mianmar. A decisão dá início a uma etapa de envolvimento direto do Exército de Bangladesh na crise humanitária.

+ Para entender: A minoria rohingya, maior população apátrida do mundo

Na semana passada, as autoridades encomendaram a tarefa de levar ajuda internacional aos campos de deslocados. Agora, Sheikh Hasina reiterou seu apelo para que Mianmar readmita em seu território os 420 mil refugiados rohingyas.

"Nós afirmamos a Mianmar: 'são seus cidadãos, devem readmiti-los, garantir sua segurança, acolhê-los, não deve existir opressão ou tortura'", afirmou a premiê em Nova York durante uma reunião com seus compatriotas, segundo a imprensa de Bangladesh. Ela está na cidade para participar da Assembleia-Geral da ONU, onde deve discursar na quinta-feira.

Hasina reiterou o apelo depois que Aung San Suu Kyi declarou que Mianmar estava "pronta" para um retorno dos refugiados rohingyas

Os membros dessa minoria, a maior população apátrida do mundo, são considerados há várias décadas estrangeiros em Mianmar, país com 90% da população budista. Eles estão sujeitos a inúmeras restrições: não podem viajar ou se casar sem autorização, e não têm acesso ao mercado de trabalho ou a serviços públicos, como escolas e hospitais. / EFE e AFP

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