Justin Sullivan/Reuters
Justin Sullivan/Reuters

EUA detalham acordo para vender US$ 60 bi em armas à Arábia Saudita

Até os dentes. Negócio é considerado um dos maiores da indústria bélica americana, mas tem sido visto com desconfiança por Israel; Washington assegura que venda fortalecerá a segurança e a estabilidade na região e ajudará a neutralizar a ameaça iraniana

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 00h00

Depois de consultar Israel, o governo americano notificou ontem ao Congresso que pretende vender US$ 60 bilhões em armamentos para a Arábia Saudita - num dos maiores negócios da história da indústria bélica americana. A ação tem o objetivo de aumentar o equilíbrio na região, onde cresce a ameaça de um Irã nuclear.

Segundo o anúncio conjunto do Pentágono e do Departamento de Estado, os sauditas comprarão 84 novos F-15 da Boeing, 70 helicópteros Apache, 36 aparelhos menores denominados AH-6M Little Bird e 72 helicópteros Black Hawk, entre outros armamentos, além da atualização tecnológica de 70 caças F-15 que Riad já possui.

"Achamos que a venda fortalecerá a segurança e a estabilidade regional, em vez de diminuí-la", afirmou Andrew Shapiro, secretário-assistente de Estado para assuntos políticos e militares. A notícia sobre a venda já havia sido divulgada, mas enfrentou inicialmente relutância de Israel e de alguns setores do Congresso que desconfiam do regime saudita por desrespeitar os direitos humanos, controlar o mercado de petróleo e supostamente ter membros que apoiam grupos extremistas hostis aos EUA.

De acordo com Alexander Vershbow, secretário-assistente da Defesa para assuntos de segurança internacional, os EUA deram garantias aos israelenses de que eles não serão ameaçados pela venda aos sauditas.

Historicamente, Israel sempre viu o mundo árabe como principal inimigo. Nos últimos anos, com a radicalização do discurso contra os israelenses entre membros do regime de Teerã, especialmente depois de Mahmoud Ahmadinejad assumir o poder, em 2005, Israel passou a ver o Irã como o adversário mais perigoso na região.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita, tradicional aliada americana, passou a enxergar o Irã como um rival no mundo islâmico. O regime de Teerã segue a vertente xiita do islamismo, enquanto a maioria saudita é sunita.

Os dois países estão em campos opostos no Iraque e no Líbano, onde Riad é mais próximo de facções sunitas, enquanto o Irã apoia grupos xiitas. Analistas costumam afirmar que uma arma nuclear de Teerã seria uma ameaça muito maior para países árabes como a Arábia Saudita do que para Israel, que possui bombas atômicas para dissuadir os iranianos - oficialmente, os israelenses não admitem nem negam a existência de seu arsenal nuclear.

Segundo Shapiro, o acordo não é "apenas sobre o Irã". "É também para ajudar os sauditas em suas necessidades legítimas de segurança", afirmou.

ARSENAL

84 caças F-15 e atualizações de 70 das aeronaves de propriedade saudita

70 helicópteros de combate Apache

70 helicópteros táticos Black Hawk

36 helicópteros leves Little Birds para operações especiais

Equipamentos como radares, mísseis e sistemas de lançamento e treinamento

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