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EUA detêm supostos agentes da Venezuela

Eles são vinculados à maleta de dólares destinada, segundo denúncia, a Cristina

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Autoridades americanas anunciaram ontem a prisão, em Miami, de três venezuelanos e um uruguaio acusados de atuar como agentes da Venezuela no chamado "escândalo da maleta". Trata-se da maleta com US$ 790 mil com a qual o venezuelano Guido Antonini Wilson tentou entrar em agosto na Argentina. Segundo procuradores federais americanos, os detidos confessaram às autoridades dos EUA que coordenaram e participaram de uma série de encontros com Antonini Wilson com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro. Confessaram ainda que os dólares eram destinados à campanha de um candidato à presidência argentina. O nome do candidato não foi divulgado no processo. Entretanto, o jornal Nuevo Herald, de Miami, citando fontes da Justiça americana, afirmou que o candidato em questão era a então primeira-dama Cristina Kirchner, que venceu as eleições de outubro com 45,2% dos votos. Segundo o promotor Thomas Mulvihill, um dos acusados disse, numa conversa gravada pelo FBI, que o dinheiro era para a campanha de Cristina. O escândalo ameaça tumultuar a primeira semana de governo da presidente, que tomou posse na segunda-feira. Os detidos - que podem ser condenados a 10 anos de prisão e a US$ 250 mil de multa - confessaram que, após a descoberta da maleta, tentaram criar documentos falsos para Antonini Wilson, para que este os utilizasse numa operação de acobertamento da origem dos fundos e de seus responsáveis. Dois dos detidos são executivos da Venoco, uma petrolífera da qual Antonini Wilson teria sido consultor.O escândalo explodiu em agosto, simultaneamente com a visita do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a Buenos Aires. Na ocasião, Chávez negou que funcionários de seu governo estivessem envolvidos. Mas o caso derrubou um homem de confiança de Chávez na estatal petrolífera PDVSA, além de um dos assessores do então presidente argentino, Néstor Kirchner. Antonini Wilson levou o dinheiro num jatinho que o transportou de Caracas a Buenos Aires. No jato, fretado por uma estatal energética argentina, também viajavam homens de confiança de Kirchner. Mas o dinheiro foi descoberto e confiscado pela alfândega argentina. Antonini Wilson voltou aos EUA. Procurado pela Justiça argentina, ele é suspeito de estar por trás de misteriosos negócios entre a Venezuela e países do Cone Sul por intermédio da PDVSA.

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