EUA detêm suspeito de liderar ataque ao consulado de Benghazi em 2012

Em uma vitória política importante do presidente Barack Obama, forças especiais dos EUA capturaram na Líbia um dos suspeitos de liderar o ataque terrorista que matou quatro americanos em Benghazi, em 11 de setembro de 2012, entre os quais o embaixador americano no país, Christopher Stevens.

CLÁUDIA TREVISAN, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2014 | 02h06

O episódio transformou-se em uma das principais fontes de críticas dos republicanos ao presidente e a Hillary Clinton, que na época chefiava o Departamento de Estado.

Ahmed Abu Khatallah foi preso por soldados nas proximidades de Benghazi numa ação secreta executada no domingo, na primeira detenção relacionada ao atentado de 2012. Segundo a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Caitlin Hayden, o suspeito está em um "local seguro" fora da Líbia e será levado aos EUA para ser julgado. Hayden afirmou que Khatallah não será enviado para Guantánamo e responderá a processo no sistema judiciário federal americano.

"Com essa operação, os EUA demonstraram mais uma vez que farão o que for necessário para assegurar que a justiça será feita quando pessoas provocarem danos a americanos", declarou Obama. Em maio de 2011, o presidente ordenou a operação que levou à morte, no Paquistão, de Osama bin Laden, o fundador da Al-Qaeda.

A oposição acusa o governo de ter apresentado uma versão distorcida do atentado para evitar prejuízos à candidatura de Obama à reeleição. A primeira informação oficial era a de que o consulado americano havia sido atacado de maneira espontânea por um grupo que protestava contra um filme anti-islâmico produzido nos EUA. Só mais tarde integrantes do governo reconheceram que se tratava de um atentado terrorista.

No entanto, as circunstâncias do ataque continuam a ser debatidas no país. Em maio, o Congresso instalou a oitava comissão para investigar o assunto, em uma decisão que os democratas dizem ser motivada pelas eleições legislativas de novembro e a disputa presidencial de 2016. Hillary é a principal pré-candidata democrata à sucessão de Obama e sua atuação na crise de Benghazi é um dos principais tópicos dos questionamentos.

O governo rejeita a acusação de distorção dos fatos e sustenta que eles foram esclarecidos pelos comitês criados pelos parlamentares nos últimos dois anos e meio. Stevens foi o primeiro embaixador americano assassinado no exercício da função desde 1979, quando Adolph Dubs morreu no Afeganistão. Uma investigação do Senado encerrada em janeiro concluiu que o atentado era evitável e nenhuma manifestação precedeu os ataques ao consulado.

Pesquisa divulgada pela CNN, na segunda-feira, mostrou que 61% dos americanos desaprovam a maneira pela qual o governo respondeu aos eventos de Benghazi. Apenas 37% se disseram satisfeitos com a reação.

A prisão de Khatallah foi comemorada por vários integrantes do gabinete de Obama. "Essa ação audaciosa do soberbo Exército dos EUA é uma clara lembrança para qualquer um que ouse nos fazer mal de que eles não escaparão impunes", disse o secretário de Estado, John Kerry.

Khatallah é apontado como um dos líderes do grupo terrorista Ansar al-Sharia, que surgiu durante a guerra civil da Líbia e ganhou proeminência após a morte de Muamar Kadafi, em outubro de 2011. O processo contra ele foi iniciado em julho de 2013 num tribunal do Distrito de Columbia, onde fica Washington. O secretário de Justiça, Eric Holder, afirmou que o governo seguirá investigando o caso para identificar e prender cúmplices de Khatallah.

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