EUA devem aumentar ajuda para o México

A Câmara dos Deputados dos EUA aumentará os recursos para o plano de ajuda ao combate às drogas no Mexico - a chamada Iniciativa Mérida. O anúncio foi feito pelo deputado democrata Silvestre Reyes, presidente do Comitê de Inteligência da Casa, que se encontrou na manhã de ontem com presidente mexicano, Felipe Calderón. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times publicada ontem, Calderón havia pedido a ampliação da ajuda americana. "Os gastos dos EUA deveriam ser equivalentes ao dinheiro que os consumidores americanos dão aos cartéis - entre US$ 10 bilhões e US$ 35 bilhões", defendeu Calderón. "Estamos dispostos a ampliar a ajuda para combater um problema que ajudamos a criar", disse Reyes, mais tarde. O deputado, no entanto, não adiantou em quanto poderiam ser ampliados os recursos para a Iniciativa Mérida nem quando essa ampliação será aprovada. Ele negou que os EUA planejem enviar militares para a fronteira para impedir que a violência dos cartéis ultrapasse a fronteira - pedido feito pelos governadores do Arizona e do Texas. "Há outras maneiras de acabar com o problema do narcotráfico sem ter de usar o Exército", afirmou Reyes. Hoje, a Iniciativa Mérida prevê investimentos de US$ 1,4 bilhões em três anos. Boa parte desse dinheiro deve ser utilizada ainda este ano no aumento do policiamento na fronteira para tentar conter a ação dos cartéis mexicanos, que já operam em cerca de 200 cidades americanas. Durante uma visita à Cidade do México, na quarta-feira, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reconheceu que o "insaciável apetite" dos americanos por drogas é o maior culpado pela violência no México. "Nós somos culpados", disse Hillary. "Não existe outra explicação." Desde que assumiu a presidência do México, em 2006, Felipe Calderón fez do combate ao tráfico uma das prioridades de seu governo. Ele gastou US$ 6,4 bilhões e enviou 45 mil homens para diferentes regiões em conflito, mas a violência dos cartéis só aumentou. Segundo o governo mexicano, todo esse esforço não dá resultados porque os EUA não cumprem sua parte na prevenção do consumo e na repressão ao contrabando de armas. Estima-se que cerca de 90% do armamento dos cartéis venha dos EUA.

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