EUA devem dobrar tropas no Afeganistão

Chefe do Estado-Maior diz que reforço será de até 30 mil homens

Reuters e AP, Cabul, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Os EUA planejam enviar um adicional de até 30 mil militares para o Afeganistão no próximo ano, o que praticamente dobraria o contingente americano no país. O anúncio foi feito ontem pelo chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, almirante Michael Mullen, durante uma entrevista coletiva numa base militar americana em Cabul. Hoje, o número de soldados americanos em território afegão é de 31 mil. Desses, 14 mil fazem parte das forças da Otan no país (que contam com 51 mil homens)."Algo entre 20 mil e 30 mil (militares) deve ser o aumento total (no ano que vem) em relação ao patamar que em estamos agora", afirmou Mullen. "Não é uma questão de saber se eles vão chegar, mas apenas quando."Esse é o maior número de soldados já mencionado por uma autoridade americana ao falar do reforço das operações militares no Afeganistão, projeto com o qual o presidente eleito, Barack Obama, se comprometeu durante a sua campanha.Segundo Mullen, a previsão é que todo o contingente adicional chegue ao país até meados de 2009. Ontem pela manhã, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, já assinou uma ordem para o envio de 3 mil homens em janeiro, de acordo com autoridades militares do país. Boa parte desse contingente deve fazer parte de uma brigada aérea. SAÍDA ESTRATÉGICAMullen diz que o reforço no Afeganistão será possível graças à retirada as tropas do Iraque. "Conforme levantamos a possibilidade de reduzir o número de soldados no Iraque no próximo ano, a disponibilidade de forças para o Afeganistão vai aumentar", disse.Também ontem, o Parlamento iraquiano rejeitou pela segunda vez a proposta de lei que permitiria que tropas estrangeiras permanecessem no Iraque até julho de 2009. Como o mandato da ONU expira em dezembro, isso significa que as forças perderão a cobertura legal para continuar no país a partir de janeiro. O debate não afeta os EUA, cuja permanência no Iraque é regida por um acordo separado, aprovado pelo Parlamento iraquiano em novembro.

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