EUA devem entregar controle de missão

Chefe militar diz que operações serão comandadas em breve por Otan ou coalizão

, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2011 | 00h00

WASHINGTON

O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou ontem que o Pentágono espera entregar o controle da missão militar na Líbia para uma coalizão - liderada pela França e pela Grã-Bretanha ou pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - "em questão de dias".

Em suas primeiras declarações públicas desde o início da operação, no sábado, Gates disse que o presidente Barack Obama, atualmente em visita pela América do Sul, quer limitar o papel dos EUA na missão militar contra o regime do ditador líbio, Muamar Kadafi, porque sabe como o Exército americano está "sobrecarregado" com as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Segundo Gates, os EUA terão um "papel militar" na coalizão, mas este papel não será "proeminente". Os comentários de Gates foram feitos enquanto navios e aeronaves americanos continuavam castigando a Líbia, derrubando redes de comunicação e lançando mísseis no Mediterrâneo.

Gates também disse ontem que seria "insensato" matar Kadafi na operação militar. "Se começarmos a acrescentar objetivos, acredito que vamos criar outro problema. Não é sensato estabelecer metas que talvez não possamos atingir."

Ontem, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, afirmou que a operação na Líbia tem um alcance limitado e reconheceu que o resultado da ação ainda é "muito incerto". Questionado no programa Face The Nation, da rede de TV CBS, sobre se ele acreditava que a ofensiva da aliança poderia pôr um fim ao impasse com Kadafi, Mullen respondeu: "Não acho que eu seja a pessoa adequada para responder isso. Certamente, reconheço que é uma possibilidade".

Mullen ainda acrescentou que as operações do Ocidente na Líbia têm como foco proteger os civis e auxiliar nos esforços humanitários. "Não se trata de ir atrás de Kadafi ou atacá-lo nesse momento em particular", disse Mullen. "Trata-se de alcançar esses estreitos e relativamente limitados objetivos, para que Kadafi deixe de matar seu povo e seja possível proporcionar ajuda humanitária."

Falando à NBC, Mullen afirmou que as operações iniciais foram "muito eficazes", pois alcançaram o objetivo de criar uma zona de exclusão aérea e levaram ao recuo das forças de Kadafi.

O vice-almirante americano Bill Gortney afirmou que depois que os EUA entregarem o controle da operação seu papel será o de dar suporte à aliança com trabalhos de inteligência e assistência humanitária, entre outros. / AP, AFP e REUTERS

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