EUA devem estar preparados para usar armas nucleares, diz Rice

Os principais assessores de política externa do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmaram neste domingo que os Estados Unidos devem estar preparados para usar armamento nuclear a fim de dissuadir ataques envolvendo armas de destruição em massa. Mas numa tentativa de conter alarmes no exterior, eles disseram que não existem planos para agir desta forma."Todos queremos tornar menos provável o uso de armas de destruição em massa", disse a assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice. "A forma de fazer isso é enviando um sinal muito forte a qualquer um que poderia tentar usar armas de destruição em massa contra os Estados Unidos de que eles encontrarão uma resposta devastadora".CálculosO secretário de Estado Colin Powell afirmou que os EUA nunca descartaram o uso de armas nucleares contra um inimigo com capacidade nuclear, uma política visando a dissuadir possíveis atacantes. "Achamos que o melhor é que qualquer potencial adversário não tenha certeza em seus cálculos", acrescentou.Rice, Powell, militares e líderes parlamentares responderam a notícias divulgadas sábado dando conta que o Pentágono informou ao Congresso que estava estudando a possibilidade do uso de armas nucleares contra países que ameaçam os EUA. O documento secreto "Revisão da Posição Nuclear" enviado ao Congresso afirma que o Pentágono desenvolve planos de contingência para o uso de armas nucleares contra países que estejam produzindo armas de destruição em massa. O documento identifica sete países-alvo: China, Irã, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Rússia e Síria.Em entrevistas neste domingo, autoridades caminharam na tênue linha entre asseverar a disposição dos EUA de usarem armas nucleares, e acalmar o público e aliados perturbados com sugestões de que Washington possa estar mais próximo de usá-las. A questão é especialmente sensível no dia em que o vice-presidente Dick Cheney partiu para um giro por 12 países, começando pela Grã-Bretanha e se estendendo por vários países árabes que certamente ficarão incomodados por terem sido colocados em mira.Destruição do mundoO ministro para Assuntos Africanos da Líbia, Ali Abd al-Salam al-Turiki, disse no Cairo que é difícil acreditar nas notícias. "Não acredito que seja verdade", afirmou. "Não acho que a América vai destruir o mundo". Já no Irã, o jornal conservador Tehran Times, ligado aos linhas-duras, escreveu que "a ordem indica que a administração dos EUA vai provocar destruição em todo o mundo a fim de estabelecer sua hegemonia e dominação".O governo da China e da Rússia não se manifestaram sobre o assunto, mas comentaristas russos disseram que Moscou deve reconsiderar as relações com Washington. Os EUA "sempre viram e verão a URSS e a Rússia pós-soviética como um rival geopolítico", afirmou o coronel-general Leonid Ivashov, ex-chefe do departamento do Ministério da Defesa para cooperação internacional. "É hora dos políticos russos perceberem isso e parar de terem ilusões de que Washington deseja o bem e a prosperidade de Moscou."

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