EUA devem iniciar retirada até março

É o que indica o comandante das tropas no Iraque; comissão do Congresso diz que Bagdá não cumpriu metas

AP e NYT, Washington, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2005 | 00h00

O comandante das tropas dos EUA no Iraque, general David Petraeus, indicou ontem que vai recomendar que a retirada americana comece até março. "Há limites no que nossas forças podem fazer. Portanto, minhas recomendações levarão em conta, entre outros temas, o esforço que nos pediram e a pressão a que submetemos nosso Exército", afirmou Petraeus em entrevista à TV ABC News. Questionado sobre a possibilidade de a redução do contingente começar em março de 2008, Petraeus respondeu que os cálculos da repórter "parecem corretos". Um militar ouvido pela ABC News afirmou, sob condição de anonimato, que uma pequena retirada pode começar ainda antes, em dezembro, seguida de novas reduções de tropas a cada 45 dias, até o contingente cair dos atuais 164 mil para 130 mil soldados. Com isso, o número de militares voltaria a ser igual ao que estava no país antes do reforço ordenado em janeiro pelo presidente George W. Bush.A recomendação sobre a retirada deve fazer parte do relatório que Petraeus apresentará ao Congresso na próxima semana sobre a situação iraquiana. Em outro relatório, um órgão independente do Congresso americano concluiu que o governo do Iraque fracassou em 11 das 18 metas políticas e militares propostas em maio por uma comissão mista do Legislativo dos EUA. O documento, divulgado ontem, diz que "a violência continua alta" no Iraque, o progresso na segurança foi relativo e os esforços para a reconciliação política estão longe do esperado. As principais conclusões do relatório, preparado pelo Escritório de Supervisão do Governo (GAO, na sigla em inglês), já haviam sido publicadas na semana passada pelo Washington Post. Pela versão que vazou, porém, Bagdá teria fracassado em 13 das metas, não em 11. Segundo o GAO, três objetivos foram alcançados totalmente e quatro, parcialmente. "O número de soldados iraquianos capazes de conduzir uma operação foi reduzido, e as milícias não foram desarmadas", diz o relatório, relatando a situação após o envio dos 34 mil soldados americanos extras.O líder do GAO, David Walker, afirmou que "não está claro se a violência sectária no país diminuiu". Na véspera, em uma visita-surpresa ao Iraque, o presidente George W. Bush havia apresentado a Província de Anbar (oeste) como um exemplo de sucesso no combate à violência entre xiitas e sunitas. Walker afirmou que Bagdá também falhou em várias metas políticas. "De modo geral, leis importantes foram aprovadas", disse, em referência à legislação contra a desbaathização (a demissão de sunitas ligados ao Partido Baath, de Saddam Hussein, do aparelho estatal), "para aumentar a participação dos sunitas no governo", e sobre a distribuição dos lucros do petróleo. A Casa Branca minimizou a importância do estudo. "Ele tem uma visão meramente estatística do progresso no Iraque", disse um porta-voz.Paul Bremer - ex-chefe da Autoridade Provisória do Iraque, em 2003 - entregou ontem ao New York Times cartas que contradizem Bush sobre o desmantelamento do Exército iraquiano, hoje tido como um dos principais erros dos EUA.Nas cartas, ele informa o presidente sobre a idéia de dissolver as Forças Armadas iraquianas, mas não fica claro se Bush aprovou a medida. O objetivo de Bremer era eximir-se da responsabilidade, já que o presidente disse recentemente que a política na época era "manter o Exército intacto".RESULTADOSMETAS NÃO CUMPRIDAS Diminuir a violência sectária e eliminar o controle das milícias sobre a segurança local Permitir que ex-membros do Partido Baath, de Saddam Hussein, ocupem cargos públicos Garantir a distribuição equitativa dos recursos do petróleo para todas as etnias do país Revisar a Constituição Organizar eleições provinciais Estabelecer lei de anistia Desarmar milícias Impedir intervenção política sobre o comando militar Assegurar o cumprimento da lei pelas forças de segurança Aumentar o número de forças iraquianas capazes de atuar de forma independente Assegurar que autoridades políticas não prejudiquem ou acusem falsamente os membros das forças de segurançaMETAS CUMPRIDAS Estabelecer comissões de apoio a plano de segurança de Bagdá Estabelecer postos de segurança em bairros de Bagdá Garantir direitos a partidos de minorias

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