EUA devem lutar no Iraque por muitos anos, diz general

O chefe das forças americanas no Iraque, o general David Petraeus, disse à BBC que a luta contra os rebeldes do país é uma "missão de longo prazo" e que ainda pode levar muitos anos. Em entrevista ao jornalista John Simpson, da BBC, na cidade de Baquba, transmitida nesta segunda-feira, 9, o general afirma que há indícios de que as tropas americanas estão conquistando vitórias no campo de batalha. Mas alertou que as forças americanas estão engajadas em uma "dura luta", que "ficará mais dura antes de se tornar mais fácil". Petraeus ressaltou que a violência no Iraque não é algo que deve desaparecer da noite para o dia. "Eu não sei se serão décadas, mas a média para combater insurgentes é algo entre nove e dez anos de missão", afirmou o general. Mais importante do que o prazo para estabilizar o Iraque, segundo o general, é o número de soldados necessários para continuar a ocupação do país. "Acredito que a pergunta é em que nível... e, realmente, a pergunta é como podemos gradualmente reduzir nossas forças para que possamos reduzir a tensão no Exército, na nação e assim por diante", afirmou. Conquistas O general disse que todos, tanto americanos como iraquianos, querem que as tropas dos Estados Unidos possam ir embora, mas que é fundamental garantir que "as conquistas que foram duramente feitas em lugares como Baquba e Ramadi possam ser asseguradas, mantidas e até aprimoradas por forças iraquianas e por líderes políticos iraquianos". Nas últimas semanas, forças americanas tomaram o controle de Ramadi e Baquba, dois importantes focos de rebeldes que funcionam como fortalezas da Al-Qaeda. Petraeus atribui o sucesso da missão americana nas duas cidades ao aumento no número de tropas. O contingente americano no Iraque recebeu o reforço de 30 mil soldados recentemente. "Esta ampla ofensiva que lançamos contra refúgios e redutos da Al-Qaeda, onde há de fato integrantes da organização, está mostrando resultado", disse o general. "Em Bagdá, por exemplo, junho foi o mês com menor número de mortes por violência sectária em um ano." Em contraste, abril, maio e junho foram os três meses com maior número de soldados americanos mortos desde o começo da invasão do Iraque, em março de 2003. Cerca de 3,6 mil soldados americanos foram mortos no Iraque desde que começou o conflito. O general diz que ainda não é possível ver o resultado completo da ação americana até a metade do mês de junho. "Eu acho, de novo, que precisamos verificar onde estaremos em setembro, quando já teremos completado alguns meses com todas as nossas forças. Ainda estamos no primeiro mês da escalada de operações." Tempo esgotando Petraeus deve voltar para os Estados Unidos em setembro para apresentar um relatório sobre o progresso da recente campanha americana no Iraque. No entanto, o tempo está se esgotando em Washington. Nas últimas semanas, quatro senadores republicanos retiraram o apoio ao plano do presidente americano, George W. Bush, no Iraque, engrossando o coro dos críticos da estratégia atual. Nesta semana, o Senado americano deve debater um projeto de lei com previsões de grandes gastos em defesa. No domingo, o Pentágono anunciou que o secretário americano de Defesa, Robert Gates, cancelou uma viagem a países da América Latina para se preparar para o debate no Congresso.

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