EUA devem mandar mais soldados para o Iraque

Nos próximos dias, o presidente americano, George W. Bush, deve anunciar em um discurso a intenção de aumentar o número de tropas americanas no Iraque. Segundo a BBC apurou, o discurso de Bush deve revelar uma nova estratégia do governo, que pretende melhorar a segurança com um maior número de soldados americanos, ao invés de investir no treinamento de forças iraquianas.A exata missão das tropas americanas no Iraque ainda está em discussão, mas o aumento da quantidade de soldados parece certo. Já foi vazado à imprensa que o novo plano de Bush para o Iraque poderia incluir um aumento temporário de entre 15 mil e 30 mil soldados para reforçar os 140 mil já mobilizados no país árabe. O objetivo é pôr fim à violência sectária e aos esquadrões da morte que atuam em Bagdá. A medida será adotada depois que o número de mortes de civis cresceu, segundo informações das autoridades do Iraque. "Alice no País das Maravilhas" De acordo com estatísticas de vários ministérios do país, cerca de mil civis estão morrendo cada mês. Bush voltou a Washington na segunda-feira depois de uma semana de férias em seu rancho no Texas. A BBC ouviu de uma fonte ligada ao alto escalão do governo americano que Bush provavelmente anunciará as medidas até o meio da semana que vem e o tema central do pronunciamento será o ?sacrifício?.A mudança de estratégia do governo deve ser recebida com grande polêmica. O plano tem um futuro incerto no Congresso dos EUA. Para o senador republicano Chuck Hagel, o aumento das tropas militares americanas no Iraque "tem algo de Alice no País das Maravilhas". "Me oponho totalmente ao envio de mais tropas ao Iraque. É uma loucura", disse Chuck Hagel ao jornal The Washington Post.Por sua vez, o republicano Richard Lugar, que nesta quinta-feira deixará o cargo de presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, também expressou suas dúvidas sobre o plano, e pediu que Bush consultasse o Congresso antes de alterar sua política.O presidente conta com o apoio de diversos republicanos, especialmente dos senadores John McCain, provável candidato à Presidência nas eleições de 2008, e Lindsey Graham, que vêm pedindo o aumento do contingente militar há meses.No entanto, o novo Congresso americano, que se reunirá nesta quinta-feira, é muito diferente do anterior. Os democratas tiraram dos republicanos a maioria em ambas as Câmaras em novembro, em grande parte por causa das críticas e do cansaço dos americanos com a Guerra do Iraque.O partido da oposição incentiva uma retirada gradual das tropas, e não quer nem ouvir falar sobre o possível aumento do número de soldados. Como comandante-em-chefe das forças armadas, Bush tem o poder de enviar os militares que considerar necessários para o Iraque, mas é o Congresso que aprova os fundos para pagar os militares.Um possível aumento das tropas requereria despesas adicionais, por isso uma forma de impedi-lo seria negando o financiamento. De qualquer maneira, a Casa Branca terá que responder às críticas contra seu plano em audiências que serão convocadas este mês pelo senador democrata Joseph Biden, que substituirá Lugar no Comitê de Relações Exteriores, e é outro possível candidato à sucessão de Bush.O ceticismo sobre o aumento das tropas é compartilhado pelo próprio George Casey, o general americano que comanda as forças de seu país no Iraque. "Quanto mais tempo as forças americanas continuem se ocupando da maioria das tarefas de segurança do Iraque, mais se adiará o momento no qual o Governo do Iraque terá que tomar decisões difíceis sobre a reconciliação e sobre como lidar com as milícias", disse Casey em uma entrevista ao The New York Times publicada nesta terça."Além disso, eles podem continuar nos culpando pelos problemas do Iraque, que são essencialmente problemas deles", acrescentou. No entanto, Casey parece ter caído em desgraça com a Casa Branca e, segundo o jornal, provavelmente será substituído em fevereiro ou em março, ao invés de entre julho e setembro, como estava previsto inicialmente. Este texto foi alterado às 22h08 para acréscimo de informação

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