Matthias Schrader/AP
Matthias Schrader/AP

EUA devem receber 85 mil refugiados em 2016, anuncia Kerry

Secretário de Estado americano afirmou que país quer fazer mais para ajudar na crise migratória, agravada com o conflito na Síria

O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2015 | 19h15

BERLIM - O governo dos Estados Unidos prevê receber em 2016 um total de 85 mil refugiados, entre eles 10 mil sírios, anunciou neste domingo, 20, o secretário de Estado americano John Kerry durante uma visita a Berlim. "Prevemos receber 85 mil, sendo pelo menos 10 mil da Síria, durante o próximo ano. E durante o ano fiscal seguinte (outubro de 2016 a outubro de 2017) chegaremos aos 100 mil", declarou Kerry após um encontro com chefe da diplomacia da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier.

No ano fiscal que termina no dia 30 deste mês, os EUA terão recebido 70 mil refugiados. O governo americano tem sido muito criticado porque o número é considerado pequeno em comparação ao um milhão de refugiados sírios que a Alemanha espera receber este ano.

Kerry explicou que os EUA "gostariam de receber mais" refugiados, mas o país se vê limitado por leis de segurança aprovadas após os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York. "Depois do 11/9 temos novas leis, a verificação de antecedentes leva muito tempo e não podemos cortar caminhos."

As declarações de Kerry podem mostrar uma crescente disposição do seu país para ajudar a enfrentar a migração em massa de sírios. "Em consulta com o Congresso, continuaremos a explorar maneiras de aumentar os números enquanto mantemos nossa segurança robusta", acrescentou o secretário de Estado.

Elogios. Kerry parabenizou a "generosidade exemplar" mostrada pelo governo alemão no amparo aos refugiados que chegam à Europa. 

Com a reunião, Steinmeier busca soluções globais à onda de refugiados que chega à Europa. Kerry tenta estabelecer uma cooperação militar no combate ao terrorismo do grupo Estado Islâmico (EI). 

"Temos que resolver o problema dos refugiados pela raiz. Uma solução política para o conflito da Síria passa por uma transição rumo a um governo sem o presidente sírio, Bashar Assad. É ilusório acreditar que pode existir essa solução desejada por todos com Assad ", afirmou Kerry.

Sobre isso, Steinmeier ressaltou a necessidade de incluir Turquia, Arábia Saudita, Irã e Rússia na busca por uma solução política para o conflito sírio que acabe com o "drama humano" dos refugiados. "O acordo sobre o programa atômico alcançado com o Irã deve ser o modelo a seguir", acrescentou o alemão.

Kerry advertiu que antes de dar por "cumprido" esse capítulo deve ser verificado se o governo em Teerã está implementando as medidas com as quais se comprometeu. /AFP, EFE e REUTERS

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