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EUA cogitam suspender embargo de 30 anos contra venda de armas ao Vietnã

Presidente americano Barack Obama falará sobre o tema com autoridades vietnamitas durante visita que fará ao país

O Estado de S. Paulo

20 Maio 2016 | 12h00

WASHINGTON - Os EUA confirmaram na quinta-feira que estão avaliando a suspensão parcial ou completa do embargo que existe há três décadas contra a venda de armas ao Vietnã, e que o presidente Barack Obama falará sobre o tema com as autoridades vietnamitas durante visita ao país asiático na próxima semana.

"Falaremos disto durante reuniões do presidente (no Vietnã). É algo que estivemos avaliando à medida que nos preparamos para a visita", disse o assessor adjunto de Segurança Nacional de Obama, Ben Rhodes, em uma teleconferência.

O embargo americano sobre armas ao Vietnã está em vigor desde 1984 e, embora tenha relaxado em 2014, Obama agora admite liberar significativamente o armamento que pode fornecer ao país, em um contexto de aproximação a Hanói e de inquietação com o poderio militar da China.

"Não tomamos uma decisão final sobre o assunto", ressaltou Rhodes, reconhecendo que a Casa Branca conversou sobre o tema com vários membros do Congresso "nas últimas semanas".

Obama falará sobre o tema em suas reuniões na segunda-feira com o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang, que está a menos de dois meses no cargo, com o novo primeiro-ministro do país, Nguyen Xuan Phuc, e com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Nguyen Phu Trong.

"Eles nos colocam este tema regularmente, e teremos a oportunidade de explicar o que pensamos e de conversar sobre como queremos tratá-lo de agora em adiante", afirmou Rhodes.

Perto de tomar a decisão, os EUA levarão em conta "como está evoluindo a relação" com o Vietnã não somente quanto "a cooperação com a segurança", mas também com relação ao "compromisso (americano) de apoiar os direitos humanos no país", acrescentou.

Os EUA não vendem armas ao Vietnã desde o fim da longa guerra no país asiático (1955-1975), embora a proibição formal só tenha sido emitida em 1984 pelo então presidente americano Ronald Reagan.

Os antigos inimigos restabeleceram suas relações diplomáticas em 1995, e Obama tentou aplicar ao Vietnã a mesma filosofia que adotou com Cuba e Mianmar: a de impulsionar o diálogo bilateral apesar de sua preocupação com a situação dos direitos humanos.

Essa preocupação será um fator importante na decisão de Obama sobre suspender o embargo de armas, já que vários grupos de defesa dos direitos humanos são contrários aos EUA optarem por essa medida sem exigir concessões em troca.

"(O Vietnã) fez muito pouco para merecer essa recompensa", afirmou o diretor para a Ásia da Human Rights Watch (HRW), John Sifton, ao jornal Los Angeles Times. "Pedimos que nos últimos anos mostrassem avanços em suas reformas legais, que revogassem as leis que criminalizam as críticas ao governo, que libertassem seus prisioneiros políticos. E não fizeram quase nada", acrescentou.

Obama sairá de Washington no sábado e chegará no dia seguinte ao Vietnã, onde permanecerá até quarta-feira, e passará por Hanói e Saigon, em uma visita "mais longa que o habitual" com a qual os EUA esperam "marcar um impacto" durável na relação bilateral, segundo Rhodes. /EFE

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