EUA devem ter recorde de viajantes no dia da Ação de Graças

O tradicional indulto do peru de Ação de Graças protagonizado nesta quarta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, inaugurou a festividade familiar característica dos Estados Unidos, marcada pelos excessos gastronômicos e pelos deslocamentos maciços de viajantes. Espera-se que mais de 38 milhões de viajantes - um número recorde - se desloquem durante o feriado prolongado, uma avalanche de pessoas, que provocou atrasos nesta quarta-feira em vários aeroportos do país e congestionamentos nas principais estradas. A Associação Americana de Automóveis (AAA) prevê que 4,8 milhões de pessoas viajarão de avião no feriado em todo o país, 3,2% a mais do que no ano passado. A elas se somarão os 31,7 milhões de pessoas que se deslocarão em automóveis, 2,9% a mais do que em 2005, e os 1,9 milhão que viajarão de trem, ônibus ou outro meio de transporte. O toque bem-humorado do dia ficou por conta de Bush, que soltou o peru de Ação de Graças e o enviou de avião à Disneylândia para uma viagem de lazer e negócios. Recém chegado de sua viagem pelo sudeste asiático, Bush teve um rápido intervalo em sua complicada agenda de trabalho, em que está pendente o debate sobre o futuro das tropas americanas no Iraque. Bush disse que o peru que teve a vida poupada estava um tanto assustado com os latidos do cachorro presidencial, Barney. "Em vez de correr atrás da bola de beisebol, preferiu perseguir o pássaro", disse Bush sobre seu cachorro. O presidente, é claro, não é o único com disposição brincalhona. O humorista David Letterman antecipou na noite passada em seu programa televisivo que Bush pouparia a vida do peru depois que o vice-presidente do país, Dick Cheney, passasse um dia "torturando" o animal. A ave, que tem o nome de "Flyer" (voador), e seu substituto "Fryer", (peru jovem, pronto para fritar) viajarão para a Disneylândia, na Califórnia, onde serão a atração do desfile anual do parque de atrações. Para "Flyer" e "Fryer", criados em uma fazenda do Missouri, "ainda restam muitos dias pela frente", previu Bush, que lembrou a relevância da festividade que os americanos realizam na quinta-feira. "Em nossa viagem ao longo dos séculos, desde os pequenos acampamentos até uma nação próspera e poderosa, os americanos foram sempre um povo grato, e este ano não é diferente", disse Bush, que agradeceu por viver em um país livre. Menu hipercalórico O Dia de Ação de Graças é a festa familiar por excelência nos EUA, uma celebração em que os americanos cozinham em massa, em um exercício culinário pouco habitual no paraíso do fast-food. O peru recheado é o prato principal do hipercalórico "menu caseiro", que também inclui purê de batatas, molho, torta de abóbora e bebidas. A festa faz com que milhões de perus passem estes dias pelo matadouro, um trágico destino do qual só se livra o Peru Nacional do ano e seu substituto, que só entra em cena caso a ave eleita morra. Os excessos e reencontros familiares do Dia de Ação de Graças fazem parte de uma longa tradição que remonta ao século XVII, quando um grupo de colonos britânicos cruzou o Atlântico a bordo do Mayflower e desembarcou em Plymouth, Nova Inglaterra. Os colonos sofreram um duro inverno em seu primeiro ano no novo mundo. A boa colheita do verão seguinte os levou a organizar três dias de celebrações para agradecer a mudança de sua sorte. A festividade se repetiu em outros assentamentos de colonos e se transformou em tradição. Em 1789, quando George Washington se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos, elegeu 26 de novembro como o dia oficial de Ação de Graças. Os diferentes estados continuaram celebrando a festividade em diferentes datas, até que, em 1863, Abraham Lincoln escolheu a 4ª quinta-feira de novembro como data oficial. O caráter laico da celebração faz com que pessoas de todos os credos e nacionalidades participem dela.

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