EUA devem treinar e equipar rebeldes sírios

Opositores de Bashar Assad não poderão ter vínculos com organizações terroristas

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2014 | 23h09

WASHINGTON - Criticado por republicanos e integrantes de seu próprio partido pela reticência em agir na guerra civil da Síria, o presidente Barack Obama disse na quarta-feira, 28, que está disposto a discutir com o Congresso caminhos que permitam o envolvimento do Exército americano no treinamento e apoio aos rebeldes moderados que lutam contra o regime de Bashar Assad.

Segundo um alto funcionário do governo, já existe uma "visão emergente" favorável a essa ação entre os parlamentares. Na semana passada, a Comissão de Serviços Armados do Senado aprovou emenda ao orçamento militar que autoriza o Pentágono a "prover equipamentos, treinamento, suprimentos e serviços de defesa" para membros moderados da oposição síria.

"Essa decisão não pode ser tomada exclusivamente pelo presidente e precisa da aprovação do Congresso", disse um funcionário do governo a jornalistas. Ele ressaltou que o cenário que está sendo discutido não inclui a entrada de soldados americanos em território sírio, mas apenas o apoio à oposição vista como confiável. A distinção entre rebeldes moderados dos que têm vínculos com a Al-Qaeda é um dos principais desafios dos EUA na disposição de ajudar os que combatem Assad, num conflito sectário no qual se enfrentam xiitas e sunitas.

O governo de Obama acredita que o regime sírio se transformou em um "ímã" para extremistas ligados à Al-Qaeda, que se organizam dentro da Síria e nos países vizinhos para tentar derrubá-lo. Parte da resistência do governo americano em atuar de maneira mais decisiva deve-se ao temor de que armas e equipamentos dados aos moderados terminem em mãos de organizações radicais.

A guerra civil síria começou há mais de três anos, provocou a morte de pelo menos 150 mil pessoas e transformou outras 9 milhões em refugiadas. No fim de agosto, Obama ameaçou bombardear o país, depois que armas químicas foram usadas contra civis. O presidente recuou, disse que consultaria o Congresso e acabou "resgatado" do imbróglio pela Rússia, que negociou um acordo pelo qual a Síria concordou em se desfazer de seu arsenal químico.

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