Ivan Pierre Aguirre/The New York Times
Ivan Pierre Aguirre/The New York Times

EUA devolvem 100 crianças para centro de detenção

Diretor de agência de imigração renuncia em meio a escândalo de maus-tratos de menores em abrigos na fronteira americana

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 00h33

WASHINGTON - O Congresso americano aprovou nesta terça-feira à noite um pacote de emergência de US$ 4,5 bilhões solicitado por funcionários do serviço de imigração, que tinham alertado que os abrigos destinados a acolher crianças imigrantes estão superlotados e precisavam de verba para lidar com a situação. O pacote ainda deve ser votado no Senado. 

Um grupo de advogados que visitou um centro de detenção na cidade de Clint, na fronteira do Texas com o México advertiu que centenas de migrantes menores de idade permaneciam no local em condições insalubres, sem fraldas para bebês, sabão, roupa limpa, escovas de dentes nem comida adequada.

A controvérsia suscitada pelo relatório dos advogados fez com que os menores, que tinham sido separados dos adultos com os quais cruzaram a fronteira ou de mães adolescentes, fossem transferidos a outras instalações. No entanto, foi noticiado nesta terça-feira que mais de 100 crianças foram devolvidas a esse centro, sem que fossem divulgados mais detalhes.

John Sanders, chefe da Agência Alfandegária e de Proteção de Fronteira dos EUA (CBP, na sigla em inglês), pediu demissão ontem após as denúncias de tratamento degradante dado às crianças imigrantes detidas pela CBP na fronteira com o México. 

O caso aumentou as críticas de ativistas de direitos de migrantes e de membros do Partido Democrata à política linha-dura do presidente republicano, Donald Trump, em relação à imigração. O presidente se manifestou nesta terça-feira “muito preocupado” pelas condições dos centros de detenção dos imigrantes, mas destacou que elas são melhores do que na época de seu antecessor, Barack Obama. Ele também disse que acabou com a separação de famílias de imigrantes – um programa que foi criado durante seu governo e foi duramente criticado.

Autoridades do Texas informaram na segunda-feira que sete imigrantes morreram, incluindo uma mulher, dois bebês e uma criança, em uma demonstração dos perigos do calor extremo do verão à medida que famílias da América Central tentam cruzar a fronteira entre México e EUA. Segundo o xerife do Condado de Hidalgo, Eddie Guerra, os corpos da mulher de aproximadamente 20 anos, dois bebês e outra criança pequena e foram encontrados em uma área com vegetação perto do Rio Grande, ao sudoeste do Anzalduas Park./ REUTERS, NYT, EFE 

 

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