Pedro PARDO / AFP
Pedro PARDO / AFP

EUA devolverão ao México ilegais que esperam resposta a pedidos de refúgio

Governo mexicano aceita receber estrangeiros como parte de um pacote que prevê repasse de verba americana; Washington alega que imigrantes hoje passam à ilegalidade enquanto aguardam decisão sobre pedidos

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 21h54

WASHINGTON - O governo de Donald Trump começará a enviar os imigrantes que tiverem cruzado de forma ilegal a fronteira em direção ao território americano de volta para o México, onde esperarão a resposta de seus pedidos de refúgio. A medida foi aceita pelo governo mexicano, como parte de um pacote que inclui US$ 10,6 bilhões (R$ 40,6 bilhões) em investimento americano no sul do México e na América Central, de onde vem a maior parte dos imigrantes.

Até esta decisão, que deve começar a vigorar “nos próximos dias”, imigrantes sem antecedentes criminais podiam aguardar nos EUA a avaliação do pedido. Na prática, parte daqueles que não eram imediatamente extraditados procurava parentes e conhecidos e passava a viver na ilegalidade. A resposta aos pedidos chega a demorar mais de três anos.

A nova diretriz se aplica tanto aos imigrantes que se apresentam às autoridades americanas de fronteira dizendo-se perseguidos em seus países quanto aos capturados em situação irregular já nos EUA. “O México decidiu adotar as ações para beneficiar os imigrantes, em particular menores, e proteger os direitos dos que querem iniciar um processo de asilo nos EUA”, afirmou o governo mexicano. 

O departamento responsável pelo controle de fronteira nos Estados Unidos registrou 51.856 apreensões próximo aos pontos de entrada no país através da fronteira sudoeste – onde Trump tem concentrado os esforços para conter a imigração ilegal. De outubro de 2017 a setembro de 2018, o total de apreensões na fronteira foi de 521 mil pessoas. 

O Pew Research Center, instituto de análise de dados e pesquisas, aponta que o número de mexicanos vivendo nos EUA ilegalmente tem caído, apesar de os imigrantes do México ainda representarem metade do total de ilegais no país. 

Washington alega que a medida evitará que os imigrantes “desapareçam em território americano e deixem de comparecer às audiências judiciais”, para acompanhar seus casos de pedido de refúgio. “Estrangeiros tentando burlar o sistema para entrar em nosso país ilegalmente não conseguirão mais desaparecer. Eles esperarão pela decisão de uma corte de imigração enquanto estão no México”, disse a secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen. 

Até agora, o México se recusava a receber imigrantes de volta, exceto os mexicanos. Defensores dos imigrantes e especialistas em direitos humanos denunciaram a mudança como ilegal e uma violação dos direitos dos refugiados. O Judiciário americano ainda pode colocar empecilhos à aplicação da medida. 

O México não esclareceu como pretende ampliar a estrutura para acolher os milhares de imigrantes, principalmente centro-americanos. No orçamento para o próximo ano, o governo de Andrés Manuel López Obrador prevê um corte de 20% nos recursos para agências de refugiados./ AFP, REUTERS e WP

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