EUA dialogam se Irã abandonar enriquecimento de urânio

Declaração foi feita momentos depois de Teerã afirmar que Washington se arrependerá pela detenção de cinco funcionários iranianos no Iraque

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

Os Estados Unidos estão disposto a participar de negociações nucleares diretas com o Irã caso o a República Islâmica atenda às demandas do Conselho de Segurança da ONU, anunciou um diplomata americano nesta terça-feira, 12. A declaração foi feita momentos depois de Teerã afirmar que Washington se arrependerá pela detenção de cinco funcionários iranianos no Iraque.Gregory L. Schulte, chefe da delegação americana na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), falou após o encontro entre os 35 membros da organização, que discutiu a posição iraniana de desafiar o Conselho.Em Viena, Schulte afirmou que se o Irã obedecer as resoluções do Conselho de Segurança da ONU de suspender suas atividades de enriquecimento de urânio e os trabalhos em seu reator nuclear, os EUA estarão prontos para discutir seu programa nuclear em uma estrutura multilateral. Esta opção foi cogitada anteriormente em 2006, pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, como uma das tentativas dos americanos e de outras cinco grandes potencias mundiais de persuadir o Irã a suspender o seu programa nuclear e retomar as negociações sobre um pacote de incentivos políticos e econômicos.Se Teerã insistir com seu posicionamento intransigente, "eu acredito que meus colegas em Nova York trabalharão em uma terceira rodada de sanções", disse Schulte em referência ao Conselho.A possibilidade de uma nova interferência do Conselho nas discussões parece mais próxima depois do cancelamento de uma reunião prevista para a segunda-feira, 11, entre alto enviado iraniano Javeed Vaidi e o chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei. O encontro foi suspenso devido à percepção de que o enviado iraniano não traria nada de substancial ao encontro, disseram fontes da AIEA.A reunião vinha sendo encarada como um teste sobre a predisposição do Irã em acabar com anos de desconfiança diante de seu programa nuclear.A falta de compromisso iraniano, somado à recusa de Teerã em cancelar seu programa de enriquecimento de urânio, foram o foco do pronunciamento de ElBaradei durante a abertura da reunião da mesa de governadores da AIEA.O responsável da Agência lamentou ainda que seus inspetores têm encontrado cada vez mais problemas para investigar a fundo as atividades nucleares iranianas.Iranianos detidosParalelamente, o governo iraniano alertou que os Estados Unidos se arrependerão de ter prendido cinco funcionários iranianos no Iraque no início do ano.Militares americanos argumentam que os cinco iranianos foram detidos por serem suspeitos de ligação com redes responsáveis por fornecer armamento para grupos insurgentes, acusação negada pelo governo do Irã.Teerã afirma que os homens presos eram diplomatas que haviam sido convidados pelo governo iraquiano, e exige a libertação dos cidadãos. Membros do governo do Iraque chegaram a pedir a liberdade dos iranianos e a compensação pelos danos causados."Nós faremos os americanos se arrependerem desse ato ilegal", disse o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, segundo a agência de informações oficiais do governo IRNA.Entretanto, Mottaki adicionou que Irã ainda pretende continuar com as negociações diretas com os EUA sobre o Iraque, iniciadas no último mês em Bagdá, que encerrou o rompimento diplomático de 27 anos entre os dois países.

Mais conteúdo sobre:
IrãEUAProjeto nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.