EUA divulgam conteúdo de sessões fechadas do macartismo

Levando adiante a cruzada anticomunista que envolveu os Estados Unidos meio século atrás, Joseph McCarthy manipulou suas audiências no Senado convocando testemunhas que podia intimidar e ignorando aquelas que provavelmente se oporiam a ele, revelam transcrições recém-divulgadas.McCarthy, um republicano de Wisconsin, presidiu o Subcomitê Permanente de Investigação do Senado em 1953 e 1954, no auge da Guerra Fria com a então União Soviética. Sua investigação sobre comunistas no governo dos EUA, denunciada por críticos como uma caça às bruxas, cunhou o termo "macartismo" para descrever campanhas difamatórias.O historiador do Senado Donald Ritchie, que compilou o material, disse que McCarthy e seu conselheiro-chefe, Roy Cohn, usaram as sessões a portas fechadas como procedimentos de grande júri. "Qualquer um que enfrentava McCarthy na sessão fechada tendia a não ser chamado para a sessão pública", revelou Ritchie. "McCarthy só estava interessado em pessoas que ele poderia intimidar publicamente"."Essas sessões executivas são sessões de pesca", explicou David M. Oshinsky, autor de uma biografia de McCarthy, "Uma conspiração tão imensa", e professor de história na Universidade do Texas. "McCarthy procurava pessoas que ou tinham uma história espetacular para contar, ou pessoas que ele achava que poderia dobrar em público, ou pessoas que certamente iriam recorrer à Quinta Emenda" da Constituição americana, que dá ao cidadão o direito de se recusar a dar informações que possam ser usadas contra si mesmo."McCarthy prosperava na Quinta Emenda", disse Oshinsky. "Ele gostava mais do que tudo de fazer perguntas bem intencionais às pessoas, e elas iriam recorrer à Quinta, para que ele as chamasse de ´comunistas da Quinta Emenda´ e falasse de uma conspiração maior".A onda começou a virar contra McCarthy em 1954, quando ele passou a procurar por subversivos nas Forças Armadas. O presidente Dwight Eisenhower, um general da reserva do Exército, fez com que as audiências passassem a ser televisionadas, para que o público pudesse ver as táticas intimidatórias de McCarthy, contou Oshinsky.Segundo Oshinsky, havia, sim, comunistas infiltrados no governo durante as décadas de 30 e 40, mas quando McCarthy lançou sua investigação eles já tinham, no geral, sido isolados.

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