EUA divulgam detalhes sobre programas de vigilância

O diretor da Inteligência Nacional dos Estados Unidos, James Clapper, divulgou alguns detalhes importantes sobre os programas secretos de vigilâncias do governo norte-americano, uma medida incomum cujo objetivo é conter as críticas que surgiram após a revelação de que o governo coleta uma enorme quantidade de dados dos cidadãos norte-americanos sob a justificativa de combater o terrorismo.

Agência Estado

07 de junho de 2013 | 10h21

Num comunicado incomum, feito tarde da noite, Clapper afirmou na quinta-feira que os esforços são legais, limitados e necessários para detectar ameaças terroristas. Ele criticou o vazamento dos documentos secretos, que revelaram a existência do programa e afirmou que a segurança dos Estados Unidos será afetada.

Clapper chamou de "repreensível" a revelação de um programa, cujo objetivo é a monitoração do uso da internet por estrangeiros, e disse que o vazamento da exigência de outro programa, que permite que o governo colete os registros telefônicos dos norte-americanos vai afetar o comportamento dos inimigos dos Estados Unidos e tornar mais difícil a compreensão de suas intenções.

"A divulgação não autorizada de um documento de um tribunal altamente secreto é uma ameaça potencial, duradoura e irreversível a nossa capacidade de identificar a responder às muitas ameaças que ameaçam nosso país", disse Clapper sobre o programa de coleta de dados telefônicos.

Ele divulgou novas informações sobre os dois programas de vigilância, dizendo querer corrigir a "impressão enganosa" criada por informações divulgadas fora de contexto, embora reconheça que discutir publicamente os programas traz riscos inerentes à segurança.

"Eu acredito que é importante para o povo americano entender os limites do objetivo desse programa de contraterrorismo e os princípios que regem seu uso", afirmou Clapper.

Pouco mais de 24 horas depois de o programa de coleta de dados telefônicos ter sido divulgado pelo jornal britânico Guardian, Clapper adotou a rara medida de retirar o status sigilo e divulgar publicamente detalhes sobre a autoridade usada para autorizar o programa, incluindo o fato de que ele é revisto por um tribunal especial a cada três meses e que os dados coletados só podem ser usados quando há suspeitas razoáveis, ou seja, apoiadas em fatos, de que a informação tem ligação com grupos terroristas estrangeiros.

Em questão estão dois programas da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) que vieram à tona na quarta e quinta-feira depois que documentos altamente secretos foram vazados para a mídia. Fonte: Associated Press.

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