Larry Downing/Reuters
Larry Downing/Reuters

EUA divulgam relatório sobre ataque na Síria e intervenção é iminente

Kerry diz que ofensiva em Ghouta teve armas químicas e matou 1.429 pessoas, 426 delas crianças

CLÁUDIA TREVISAN - CORRESPONDENTE EM WASHINGTON,

30 de agosto de 2013 | 14h38

(Atualizada às 15h40) WASHINGTON - Relatório do serviço de inteligência dos Estados Unidos divulgado nesta sexta-feira, 30, em Washington concluiu que o ataque com armas químicas ocorrido na Síria no dia 21 de agosto foi ordenado pelo regime de Bashar Assad, o que abriu caminho para o presidente Barack Obama autorizar um ataque ao país a qualquer momento. De acordo com o relatório, 1.429 pessoas morreram no ataque do dia 21 de agosto, entre as quais 426 crianças.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fez um contundente pronunciamento em defesa da provável ação militar americana, mas ressaltou que ela não terá semelhança com Iraque, Afeganistão ou a Líbia. "Não repetiremos aquele momento", disse Kerry se referindo ao Iraque em 2003.

Obama afirmou nesta sexta-feira que ainda "não tem uma decisão final" sobre a intervenção militar na Síria, mas que se ocorrer será limitada, não envolverá a presença de tropas no país nem terá por objetivo a derrubada de Assad. Kerry havia dito que em seu pronunciamento que a ação seria "seletiva" e sem o envio de tropas terrestres.

As evidências reunidas pelo serviço de inteligência indicam que nos três dias que antecederam o ataque do dia 21, na periferia de Damasco, integrantes do regime discutiram a operação e se prepararam para o impacto da explosão de armas químicas, inclusive com o uso de máscaras.

Os foguetes que carregaram as armas foram disparados de regiões controladas pelo regime e caíram em áreas dominadas pelos rebeldes, onde ofensivas anteriores haviam falhado. Além disso, imagens disseminadas nas redes sociais e relatos de médicos e ONGs no local apontam para o uso de armas químicas.

Para Obama, o ataque com armas químicas ameaça a segurança nacional e é um "desafio ao mundo". O presidente ressaltou que é preciso impedir "que armas químicas sejam usadas no futuro e caiam nas mãos de terroristas."

Kerry ressaltou que o governo estava consciente do precedente do Iraque, quando Washington baseou sua decisão de ir à guerra com base em indícios - posteriormente desacreditados - de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. O secretário sustentou que não há dúvidas de que o regime de Assad foi o responsável pelo ataque.

Leia abaixo, em inglês, o relatório divulgado pelos EUA:

U.S. Government Assessment of the Syrian Government’s Use of Chemical Weapons

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