EUA dizem acompanhar de perto liberdade de imprensa na Argentina

Cristina Kirchner acusa jornais de se apropriarem de empresa de papel-jornal ilegalmente

Efe,

25 de agosto de 2010 | 20h53

WASHINGTON- O Departamento de Estado americano afirmou nesta quarta-feira, 25, que acompanha de perto o "forte debate" sobre a liberdade de imprensa na Argentina, depois da presidente Cristina Kirchner ter acusado os dois principais meios argentinos de apropriação ilegal do maior fabricante de papel de imprensa do país.

 

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"A liberdade de imprensa em muitas partes do mundo nos preocupa e certamente agora mesmo há um forte debate interno na Argentina. Estamos acompanhando de perto os acontecimentos" no país sul-americano, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner.

 

Em sua coletiva de imprensa diária, Toner acrescentou que a liberdade de imprensa faz parte de nossas conversações bilaterais" com a Argentina. "Obviamente levamos as preocupações a respeito da liberdade jornalística muito a sério".

 

Ontem, o governo argentino acusou as principais empresas de comunicação do país, os diários Clarín e La Nación, de se apropriarem ilegalmente da maior fabricante de papel jornal argentina, a Papel Prensa, durante a ditadura.

 

Segundo relatório da Casa Rosada, os jornais são cúmplices da ditadura militar de 1976-1983.

 

Tanto o Clarín quanto o La Nación denunciaram o que chamaram de "história inventada" pelo governo argentino para despojá-los da Papel Prensa, da qual o Estado é sócio minoritário.

 

"Controle dos meios"

 

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) criticou hoje a intenção de Cristina Kirchner de enviar um projeto de lei ao Congresso para declarar de "interesse público" a produção, distribuição e comercialização de papel para jornais.

 

Para a SIP, a possível apresentação do projeto é uma "medida inconstitucional" que pretende alcançar o "controle dos meios".

 

O presidente da organização, Alejandro Aguirre, se disse surpreso porque o governo argentino chegou a "essas instâncias fazendo expressa sua intenção de controlar os meios de comunicação" com a supervisão da fabricação e distribuição de papel.

 

Um insumo básico, acrescentou Aguirre, da indústria jornalística que, na Argentina, "não é escasso, nem apresenta um problema de abastecimento, e que não tem porquê ter regulações especiais".

 

Segundo Aguirre, que é subdiretor do Diário Las Américas, "é absurdo que o governo vá contra a própria Constituição" do país, em cujo artigo 32 se estabelece expressamente que 'o Congresso federal não ditará leis que restrinjam a liberdade de imprensa ou estabeleçam sobra ela a jurisdição federal".

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