EUA dizem que afundamento de navio não é terrorismo da Coreia do Norte

Departamento de Estado diz que episódio constitui agressão de 'Estado contra Estado'

Reuters

28 de junho de 2010 | 16h56

WASHINGTON - A afundamento de um navio de guerra sul-coreano supostamente causado por um torpedo disparado pela Coreia do Norte não foi um ato de terrorismo internacional e não justifica a inclusão de Pyongyang na lista negra dos EUA, informou nesta segunda-feira, 28, o Departamento de Estado americano.

 

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"Nosso julgamento é que o afundamento do Cheonan não é um ato de terrorismo internacional e por si só não implica na inclusão da Coreia do Norte na lista de praticantes de terrorismo mantida pelos EUA", disse P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado.

 

"Foi, na nossa visão, uma ação provocativa, mas uma ação tomada pelos militares de um Estado contra outro país. Isso, para nós, não constitui um ato de terrorismo internacional", disse Crowley.

 

A Coreia do Sul realizou uma investigação que apontou os norte-coreanos como responsáveis pelo afundamento do navio, quando 46 marinheiros morreram. A inspeção foi respaldada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pelos EUA.

 

Seul levou o caso ao Conselho de Segurança da ONU e pressiona o órgão para que adote uma resolução contra Pyongyang. Os norte-coreanos, porém, dizem que o resultado das investigações é uma invenção e que qualquer ação tomada pelo Conselho seria respondida militarmente.

 

Crowley, porém disse que os EUA continuamente avalia a questão e não hesitará em recolocar a Coreia do Norte na lista se achar que o país asiático "repetidamente der apoio a atos de terrorismo. Os norte-coreanos foram retirados da lista em 2008 como parte de um acordo para que eles abandonassem seu programa nuclear.

 

A retirada da lista também implicou no levantamento de várias sanções contra a Coreia do Norte, mas as medidas tiveram pouco efeito, já que Pyongyang segue submetida a outras sanções unilaterais aplicadas pelos americanos.

 

O episódio do navio elevou a tensão entre as duas Coreias, tecnicamente em guerra desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia. O conflito nunca foi formalmente encerrado e os dois lados permanecem apenas em trégua, embora haja atritos frequentemente.

 

Outra questão que gera impasse é o programa nuclear norte-coreano, considerado uma ameaça pelo sul. Pyongyang se recusa a retornar à mesa de negociações para abandonar os projetos atômicos e diz que só o fará se a Guerra da Coreia for encerrada formalmente.

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