EUA dizem que apoio para atacar o Iraque não é necessário

O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, afirmou hoje que é mais importante para o país estar certo quanto à necessidade de uma ação militar contra o Iraque do que obter o apoio de outros países para essa ação. "É menos importante ter unanimidade do que tomar a decisão correta e fazer a coisa certa, embora essa pareça uma posição solitária", disse Rumsfeld durante visita à base dos fuzileiros navais em Camp Pendleton, na Califórnia. O secretário também afirmou que a maioria dos aliados dos EUA vai apoiar uma ação militar contra o Iraque, caso o presidente George W. Bush decida que ela é necessária. "A liderança na direção certa encontra seguidores e apoiadores", disse Rumsfeld. Indagado por um fuzileiro sobre se uma vitória contra o Iraque demoraria a ser conseguida, ele evitou dar uma resposta direta e disse que "o frenesi sobre esse assunto me parece não ser útil". Fábrica de inseticidas No Iraque, autoridades levaram um grupo de jornalistas para uma visita à fábrica de inseticidas Falluja 3, cerca de 100 km a oeste da capital Bagdá. A fábrica foi destruída pela Força Aérea dos EUA na Guerra do Golfo, em 1991, e novamente em 1998. Os EUA sustentam que ela produz armas químicas e biológicas, o que o Iraque nega. "A fábrica está produzindo inseticidas domésticos e pesticidas de uso agrícola e não tem nada a ver com armas de destruição em massa", disse o gerente Haidar Hassan, ao conduzir os jornalistas. Segundo Husam Mohammed Ameen, que liderou a delegação iraquiana que acompanhou os inspetores de armas da ONU no país, o pessoal das Nações Unidas havia instalado câmeras e sensores para monitorar as atividades de Falluja 3 em 1994, mas esses equipamentos foram destruídos pelos ataques aéreos norte-americanos de 1998. Japão Diante da falta de apoio dos aliados europeus para um ataque ao Iraque, um diplomata norte-americano chegou nesta quarta-feira ao Japão e indicou que os EUA estão apenas começando a construir uma coalizão contra Saddam Hussein. O subsecretário de Estado Richard Armitage se negou a indicar quantas nações apóiam o plano de Washington de derrubar o presidente iraquiano. "Não creio que possa dar-lhes uma lista preliminar porque acho que ainda não determinamos quem fará o quê", disse Armitage após uma viagem por cinco nações que terminou em Tóquio. "Quando os EUA apresentarem seu caso contra o Iraque, esperamos obter uma boa quantidade de apoio internacional", disse. Coréia O Iraque foi um dos temas principais do encontro matutino entre Armitage e o vice-ministro de Relações Exteriores Yukio Takeuchi. Ambos também discutiram as relações com a comunista Coréia do Norte. Armitage indicou que a finalidade dos encontros era uma troca de idéias e que, ao menos em parte, graças à posição dos EUA sobre a mudança de regime no Iraque, o governo deste país deu sinais de que poderia permitir a volta dos inspetores de armas das Nações Unidas a seu território. O diplomata norte-americano apoiou as afirmações do chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, para quem "o regime do Iraque começou a mostrar-se nervoso e a manifestar um pouco mais de ´flexibilidade´ desde que os EUA começaram a falar a sério". O Japão é um aliado importante da guerra norte-americana contra o terrorismo, pois ali os EUA estacionam navios, tropas e instalações, embora o Japão não participe dos combates. No entanto, ainda não está claro se o país apoiará um ataque ao Iraque. Índia A Índia, um dos fundadores do movimento dos Países Não-Alinhados, declarou-se hoje contrária a um eventual ataque norte-americano ao Iraque. "Queremos dizer muito claramente que nos opomos a qualquer ação militar contra qualquer país, em particular com a tentativa declarada de provocar uma mudança de regime", disse o chanceler indiano, Jaswant Singh. As relações entre Índia e EUA se reforçaram nos últimos anos. O governo de Nova Délhi foi um dos primeiros a alinhar-se com os EUA na "luta contra o terrorismo" no Afeganistão.

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